29 de agosto de 2015 • 4:36 pm

Brasil

Ex-presidente Lula é acusado de ter sido ‘lobista’ da Odebrechet em Cuba

A acusação foi feita em reportagem da revista Época desta semana.

Por: Da Redação
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O ex-presidente Lula atuava como “lobista” da empreiteira Odebrecht em Cuba, onde a construtora faturou US$ 898 milhões, o equivalente a 98% dos financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) àquele país. É o que diz reportagem da revista Época, desta semana, após Lula ter admitido que é candidato a presidente da República em 2018

Correspondências diplomáticas às quais a publicação teve acesso indicam que o ex-presidente discutia detalhes de negócios da Odebrecht em Cuba com autoridades brasileiras e cubanas.

De acordo com a revista, Lula usou o nome da presidente Dilma em suas conversas sobre o assunto. “Chegava a discutir, em reuniões com executivos da Odebrecht e Raúl Castro [presidente cubano], minúcias dos projetos da empreiteira em Cuba, como os tipos de garantia que poderiam ser aceitas pelo BNDES para investir nas obras”, diz a reportagem de Thiago Bronzatto.

Os documentos apontam que Lula dizia aos diplomatas brasileiros em Cuba que trataria de interesses da construtora e do governo cubano com a presidente Dilma. Um dos telegramas diplomáticos publicados pela reportagem relata conversas atribuídas ao ex-presidente a respeito de garantias que o governo de Cuba poderia oferecer por novo empréstimo do BNDES, agora no valor de US$ 290 milhões. O dinheiro, que ainda não foi liberado, tem como destinação prevista a execução de obras de infraestrutura no entorno do porto de Mariel, construído com financiamento de US$ 682 milhões concedido pelo banco brasileiro. Assim como no porto, as obras do entorno também teriam como beneficiária a Odebrecht.

A correspondência, assinada pelo encarregado de negócios na embaixada do Brasil em Havana, Marcelo Câmara, informa que, “em conversa reservada com o pres. Lula”, representantes da Odebrecht declararam temer o veto do Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Config), do BNDES, sem contrapartida de Cuba por meio “garantias soberanas”. Na conversa com o ex-presidente, os executivos disseram que o governo brasileiro poderia exigir como garantias a oferta de medicamentos para o Brasil, a alocação de repasses do Mais Médicos, o arrendamento de uma mina de níquel a uma empresa brasileira ou a venda da produção de nafta para a Braskem, empresa do grupo Odebrecht.

Ainda de acordo com o telegrama, os representantes da empreiteira informaram ao ex-presidente Lula que a venda de nafta à Braskem era a hipótese mais “factível” a ser aceita pelo governo cubano. E recomendavam que o dinheiro fosse colocado numa conta à margem dos organismos internacionais de fiscalização.

Segundo o documento, Lula disse ter tratado do assunto com o presidente cubano Raúl Castro, “com ênfase à opção pela venda de nafta”. Conforme o relato da correspondência diplomática, o ex-presidente disse ainda “que reportaria teor das conversações oportunamente” a Dilma.

“Parte expressiva dos documentos obtidos com exclusividade por Época foi classificada como secreta pelo governo Dilma. Isso significa que só viriam a público em 15 anos. A maioria deles, porém, foi entregue ao Ministério Público Federal, em inquéritos em que se apuram irregularidades nos financiamentos do BNDES às obras em Mariel”, informa a revista.

Em outro inquérito, o ex-presidente é investigado pelos procuradores pela suspeita de ter praticado o crime de tráfico de influência internacional, ao usar seu prestígio para unir BNDES, governos na América Latina e na África e projetos de interesse da Odebrecht.

Lula sempre negou ter atuado como lobista da construtora.

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