14 de novembro de 2015 • 9:06 am

Mundo

França decreta guerra ao Estado Islâmico, depois dos atentados que deixaram mais de 120 mortos

A grande complexidade da questão é que o Estado Islâmico não possui um estado a ser atacado. Mas o que é o Estado Islâmico?

Por: Da Redação
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O presidente francês, François Hollande, se dirigiu à população francesa na manhã deste sábado e disse que seu país foi vítima de um “ato de guerra” cometido por um “exército terrorista”, fazendo referência, ainda, ao Estado Islâmico.

Isso significa que a reação da França aos ataques coordenados de ontem, que deixaram mais de uma centena de mortos em Paris, se dará também no campo militar. Hollande também convocou o parlamento para uma sessão extraordinária, na qual deve pedir apoio para reagir ao “ato de guerra”.

A grande complexidade da questão é que o Estado Islâmico não possui um estado a ser atacado – é uma força paralimentar que foi alimentada pelo Ocidente para derrubar o regime de Bashar al-Assad, na Síria, e que, agora, se volta contra o próprio Ocidente.

Desde seu início, a guerra civil na Síria já matou 250 mil pessoas e deslocou 11 milhões de pessoas, levando 800 mil refugiados à Europa.

A França tem lançado ataques aéreos contra o Estado Islâmico, mas também defende a derrubada de Assad. O líder sírio está sendo investigado, na França, por supostos crimes cometidos contra a humanidade.

Assad, no entanto, também combate o Estado Islâmico, seu inimigo interno na guerra civil. Recentemente, ele foi recebido em Moscou, onde agradeceu ao apoio do presidente russo, Vladimir Putin, que também passou a atacar o Estado Islâmico.

A França está em guerra. Só não se sabe ainda se contra o Estado Islâmico, contra a Síria ou contra ambos.

O QUE É O ESTADO ISLÂMICO – O Estado Islâmico no Iraque e na Síria (Isis) foi criado em 2013 e cresceu como um braço da organização terrorista al-Qaeda no Iraque. No entanto, no início deste ano, os dois grupos romperam os laços. No final de junho, os extremistas declararam um califado, mudaram de nome para o Estado Islâmico (EI) e anunciaram que iriam impor o monopólio de seu domínio pela força. O EI é hoje um dos principais grupos jihadistas, e analistas o consideram um dos mais perigosos do mundo. 

As atividades do EI se concentram no Iraque e na Síria, onde o grupo assumiu um papel dominante e possui forte presença. O recente controle de vastos territórios no Norte e Oeste do Iraque, além das áreas dominadas pelos curdos, ajudaria o grupo islâmico a consolidar seu domínio ao longo da fronteira com a Síria, onde luta contra o regime de Bashar al-Assad.

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