1 de setembro de 2017 • 9:31 am

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Funaro diz em inquérito que recebeu dinheiro para não delatar presidente

Delator confirmou os pagamentos para ele e Eduardo Cunha em depoimento na PF

Por: Marcelo Firmino
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Embora a delação premiada (ainda não homologada) do operador Lúcio Bolonha Funaro tenha voltado ao Ministério Público Federal (MPF) para que sejam feitas adequações, uma novidade em relação a ela já se sabe: ele confirmou que recebeu dinheiro do empresário Joesley Batista, da JBS, para que permanecesse em silêncio e não revelasse o que sabia sobre corrupção e movimentação ilegal de recursos por parte de influentes políticos do país.

Essa informação, apostam aliados e opositores do governo federal, deverá constar da denúncia que o procurador-geral da República Rodrigo Janot entregará, nos próximos dias, em face do presidente Michel Temer a partir das delações de Joesley Batista e executivos da JBS. O presidente da República é investigado por obstrução de Justiça e envolvimento em organização criminosa.

Na conversa entre Joesley e Temer, na surdina e na calada da noite de 3 de março, no subsolo do Palácio do Jaburu, o empresário revelou uma série de crimes que cometeu. Entre os trechos do diálogo está o que ele informou que vinha fazendo pagamentos a Funaro e ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para manter-se calado.

Comprado para manter silêncio


Em um depoimento à Polícia Federal, no mês passado, antes de fazer acordo de delação, Funaro confirmou os pagamentos. Mas disse que diziam respeito à quitação de uma dívida antiga. Ele teria dinheiro a receber de Joesley Batista porque intermediou negócios da JBS. Os investigadores não acreditaram na explicação, que era diferente da do empresário. Depois de decidir colaborar com a investigação, o operador revisou declarações anteriores e ratificou a narrativa do dono da JBS. A irmã de Funaro, Roberta, chegou a ser presa em 18 de maio após receber R$ 400 mil de um executivo da JBS dentro de um táxi. Parte da transação foi filmada.

Ex-ministro de Temer 1 – O ex-ministro de Governo Geddel Vieira Lima também é citado na delação de Funaro. Em depoimento à Polícia Federal, o operador relatou que Geddel telefonou diversas vezes para a mulher dele no fim do primeiro semestre deste ano. O ex-ministro estaria “sondando” a disposição dele em partir para uma delação. Esta e outras revelações acabaram levando a decretação da prisão de Geddel pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10º Vara Federal de Brasília. Geddel seria um dos interlocutores de Temer junto a Joesley Batista. Ele teria sido substituído no papel pelo ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, conforme acerto registrado na conversa entre Temer e Batista em março.

Ex-ministro de Temer 2 -Lúcio Funaro, em sua delação, delatou também o ex-ministro do Turismo de Temer, Eduardo Henrique Alves. Ele informou ter intermediado o repasse de R$ 7 milhões em espécie para a campanha do ex-ministro ao governo do Rio Grande do Norte, em 2014. O montante foi enviado, segundo o delator, por Joesley Batista.

Funaro relatou que usou um avião do grupo Bertin para transportar o dinheiro a Natal. O montante, segundo ele, foi entregue para um assessor de Henrique Alves no Hotel Ocean, na praia de Ponta Negra, na capital. O operador contou ainda, que estava acompanhado da namorada à época.

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