27 de setembro de 2016 • 7:50 am

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Greve dos bancários completa 22 dias. Por que os bancos não estão nem aí?

Uma rodada de negociação está prevista para a tarde desta terça-feira, em São Paulo.

Por: Fátima Almeida
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Greve afeta agências públicas e privadas / Foto: Ascom Bancários.al

Greve afeta agências públicas e privadas / Foto: Ascom Bancários.al

Deflagrada no dia 6 de setembro, a greve dos bancários completa 22 dias nesta terça-feira e se iguala, em tempo de duração, à greve realizada no ano passado. Considerando o nível de adesão, é uma das maiores paralisações da história. No Brasil, calcula-se que 13.420 agências e 33 centros administrativos tiveram as atividades paralisadas. Isso representa 57% de toda a rede bancária no país.

Em Alagoas, o cálculo do Sindicato dos Bancários diz que a greve fechou 100% das agências bancárias da capital e cerca de 90% no interior do Estado.

Uma greve histórica, sem dúvidas. Em outros momentos, o fechamento de agências privadas era uma questão de horas, no máximo de um ou dois dias. E logo uma liminar deferida pela Justiça, em ação movida pelos banqueiros, determinava a reabertura. A prolongação geralmente se limitava, quando muito, aos bancos da rede pública – Caixa Econômica, Banco do Brasil e Banco do Nordeste.

Desta vez, bancos públicos e privados estão fechados há mais de três semanas, sem trégua.

E o mais estranho é a indisposição dos banqueiros em resolver a greve, seja pelas vias da negociação, seja pelas vias judiciais. Parece que a intenção da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) é vencer pelo cansaço (embora os bancários pareçam, cada dia, mais descansados).

Nenhuma ação; nenhum avanço na negociação; nenhuma preocupação evidente.

Nessa história toda, quem começa a cansar, mesmo, é a população usuária – cliente do banco. Muita gente sem acesso ao dinheiro da aposentadoria, do FGTS, do seguro desemprego, até do salário ou de alguma economia reservada para uma necessidade ou um investimento especial; gente impossibilitada de pagar suas contas porque perdeu ou teve o cartão bloqueado; teve problema com a senha, ou porque determinados serviços só se resolvem na boca do caixa.

Estes são os verdadeiros prejudicados. Afinal, dinheiro parado no banco é lucro certo – para os banqueiros. E juros das contas atrasadas, também.

Entendeu?

Sobre o andamento da greve

  • A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) atendeu, nesta segunda-feira (26), à solicitação feita pelo Comando Nacional dos Bancários e confirmou uma nova rodada de negociações para esta terça-feira (27), às 14h, em São Paulo.
  • Os bancários querem a reposição da inflação e mais 5% de ganho real;
  • Na última rodada, os banqueiros ofereceram 7% de reposição (o que não cobre sequer a inflação), e mais abono salarial, proposta rejeitada pela categoria;
  • Após a rodada desta terça-feira, os sindicatos realizam assembleia e decidem se a greve continua ou não.
  • É esperar…

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