10 de Janeiro de 2017 • 11:52 pm

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Guerreiros do artesanato tentam ressurgir das cinzas na Praça Lions

Grupo perambula há 11 anos na luta por um espaço adequado para a venda de seus produtos

Por: Fátima Almeida
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Fotos: Fátima Almeida

Lembram deles? São os artesãos Guerreiros de Maceió, tentando, mais uma vez ressurgir das cinzas. Agora, ocupando um espaço cedido pela Prefeitura, na Praça Lions, pertinho da Praia de Pajuçara e do fluxo turístico.

Se o espaço é o mais adequado – talvez não – mas com certeza, para eles é bem melhor do que o esquecimento em que viviam relegados, na Praça Sinimbu, desde 2010. Pelo menos ganham mais visibilidade; mais condições de vender seus produtos. E a Praça Lions, que nos últimos anos tem servido apenas de abrigo para moradores de rua, concentração de usuários de drogas e depósito das inacabáveis obras de saneamento da Pajuçara, ganha vida nova, com a exposição e venda de artesanato no local.

Dos Guerreiros que um dia foram obrigados a desmontar barraca ao lado do Memorial da República, em Jaraguá, muitos desistiram ou buscaram espaços alternativos de sobrevivência. Hoje, na Praça Lions, onde começaram a chegar no último final de semana, tem cerca de 40 barracas, todas padronizadas e organizadas no projeto “Feirinha na Praça”.

Sem dúvidas, foi o melhor que conseguiram até agora, desde que foram amontoados num cantinho sombrio da Praça Sinimbu, numa dessas decisões do poder público, que nossa vã filosofia não consegue entender.

Por que foi, mesmo, que eles tiveram que desocupar o terreno ao lado do Memorial, onde vendiam bem, agregavam valor ao monumento e ao bairro de Jaraguá, e garantiam mais segurança aos visitantes, por causa do movimento?

Ah! Terreno da Marinha. E daí? São tantos empreendimentos públicos e privados que ocupam terreno da Marinha…

Bom! Minha leitura é pouca.

Que sejam felizes, e que a passagem dos artesãos pela Praça Lions seja pacífica, ordeira e promissora, respeitando o espaço público e a circulação de todos.

 

A HISTÓRIA

A história dos Guerreiros do artesanato tem sido uma verdadeira odisseia cheia de quedas e superações que fazem jus ao nome do grupo. Desde dezembro de 2005, quando um incêndio se alastrou no pavilhão Cheiro da Terra, na Praia de Jatiúca, e consumiu 150 dos 200 quiosques instalados no enorme galpão que abrigava os artesãos em regime de aluguel.

Dali eles tiravam sua sobrevivência e sustentavam sua dignidade de cidadãos que vivem e sustentam suas famílias do próprio trabalho. Mas o fogo destruiu sonhos, queimou o estoque de produtos, gerou enormes prejuízos, e acelerou o fim de uma peleja judicial que se arrastava, na época, pela desocupação do espaço.

PEREGRINAÇÃO

Desde então, tem sido grande a peregrinação e o suplício do grupo, em busca de um lugar pra ficar. Durante alguns anos, ps artesãos foram felizes, bem instalados ao lado do Memorial da República, em Jaraguá, onde os turistas em excursões costumavam parar para apreciar o pôr do sol e comprar artesanato. O sucesso deve ter gerado ‘dor de cotovelo’, e logo se ‘descobriu’ que o terreno era da Marinha.

(Oh!) Vamos tirar eles de lá!

SÓ PROMESSAS

Em 2010, os Guerreiros de Maceió sofreram o novo despejo e foram alojados na Praça Sinimbu. Perderam o brilho, a freguesia e as condições de sobrevivência. Pediram socorro. Quem vivia de renda, passou a viver de promessas que nunca se cumprem. Nesses 11 anos perambulando em busca de um espaço digno que lhes dê um mínimo de condições de sobrevivência, muitos desistiram. Agora, na Praça Lions, tem pouco mais de 30 artesãos que integram o grupo Guerreiros.

E mesmo assim, a solução encontrada não passa de paliativo. Estão ali só  para uma temporada de verão – até o próximo mês de março. É o que diz a Secretaria Municipal de Trabalho e Economia Solidária (Semtabes), que viabilizou o espaço e a padronização, para exposição dos produtos artesanais na alta temporada turística, que está a todo vapor.

Depois disso, feito nômades, eles devem ser removidos, mais uma vez, para outro lugar.

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