11 de agosto de 2016 • 12:25 pm

Artigo

Hoje é o dia do estudante. Melhor seria se fosse ” o dia do aluno”.

“Aluno” traz o cotidiano, a instrução de um mestre, a aula mágica, os afetos juvenis, a naturalidade, o encontro com as emoções , a paixão pelo conhecimento…

Por: Da Redação
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Por Oswaldo Pife*

“Estudante”. Essa é uma bobagem que se oficializou para o dia 11/8.

Dia do estudante

Dia do estudante

Não é significado completo de aluno. Pelo menos nos termos em que queremos plantar na efeméride.

Ora, ninguém diz “meu filho foi seu estudante”, nem muito menos “professor, tenho orgulho em ser seu estudante”. Imperfeitos e mal executados significados, não?

Não menosprezo o termo “estudante”, claro. Ele serve para quem exercita sua inteligência. Por isso, somos todos estudantes quando examinamos atentamente nossas habilidades e a colocamos em prática. Ser estudante é examinar atentamente a vida.
E é um flerte também. “Estou estudando você faz tempo”, diz o incorrigível galanteador.

Então, feito uma nota dissonante, “dia do estudante” é inarmônico. Incongruência pura!

“Aluno” traz o cotidiano, a instrução de um mestre, a aula mágica, os afetos juvenis, a naturalidade, o encontro com as emoções , a paixão pelo conhecimento, as lágrimas felizes de um dez, o sofrimento do boletim pintado de vermelho, o consolo do colega, os amores e frases no caderno, o bilhete confidencial a passar indetectável, as horas de raciocínios, as férias, o sonho da aprovação, os segredos, a cobrança em casa, a hora do recreio (termo aqui completo de significado, apesar de ser tão antigo quanto à idade de alguns amigos meus). Ah! “Aluno” traz também meninos gamados pela professora, infantil e deliciosamente inocentes. Quem nunca a teve em seus sonhos imberbes?

Tal qual a escolha do destino, minha filha foi minha aluna (infelizmente, a providência não figurou meu filho nesse projeto). Em casa, ela me via como professor, para o meu desespero. Procurava-me para o esclarecimento de um assunto qualquer como se fosse a sala de aula a se prolongar na mesa de jantar.Via-a como aluna, para o desespero dela.
Mas tentava recobrar meus instintos paternos, teimosamente.
O Houaiss era quem me salvava, definitivamente, para alento de minha hesitação : “criança, menino, discípulo; aquele que se pode nutrir, alimentar, sustentar, fortalecer”.Tudo isso significa “aluno”. Aqui, minha dúvida se dissipa: minha filha será eternamente minha aluna. Não há o que separar.

Essa não é uma visão nutrida de ufanismo sentimental, se o leitor não se importa com a demasiada semântica. É romântica mesmo, afetiva. Porque aluno é um ser apaixonado.

Salve o dia do aluno!

Professor Osvaldo Epifanio* (Pife, como também me chamam).

(*Ex-aluno do James, da Márcia, da Salma, da D. Leonor, da Oblagui, do José Júlio , da D. Stela, da Marluce Dacal, do Professor Leite, do Edvânio, da Tereza).

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