23 de maio de 2016 • 1:13 pm

Política

Impeachmente como moeda de troca da Lava Jato: DEM cobra explicações

O escândalo revela as tramas de PSDB e PMDB para frearem a Lava Jato no País

Por: Da Redação
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O líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino (AM), cobrou nesta segunda-feira, 23, explicações do presidente interino Michel Temer e do ministro Planejamento, Romero Jucá, em razão do diálogo divulgado pela Folha de S.Paulo em que o senador licenciado defende um “pacto” e a mudança de governo para “estancar a sangria” da Operação Lava Jato.

Pauderney, líder do DEM cobra explicações.

Pauderney, líder do DEM cobra explicações.

Para Pauderney, se os esclarecimentos não forem convincentes, só restará uma solução: a saída de Jucá do governo. “O presidente Michel Temer e o ministro Jucá precisam dar explicações. Essa situação complica tudo na política”, disse o líder do DEM ao Congresso em Foco.

A conversa com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, divulgada pela Folha de S.Paulo, foi gravada em março, semanas antes da votação do impeachment na Câmara. Os dois são investigados na Lava Jato, suspeitos de ter recebido recursos desviados da Petrobras.

Ex-senador pelo Ceará e amigo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Sérgio Machado demonstra preocupação com a possibilidade de sua investigação descer do Supremo Tribunal Federal (STF) para as mãos do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba.

“Então eu estou preocupado com o quê? Comigo e com vocês. A gente tem que encontrar uma saída”, declarou. Segundo ele, as novas delações da Lava Jato não deixariam “pedra sobre pedra”. Ainda no exercício do mandato de senador, do qual se licenciou para assumir o ministério, Jucá concordou que o caso de Machado “não pode ficar na mão desse [Moro]“.

De acordo com o atual ministro do Planejamento, a resposta a ser dada tinha de ser política para evitar que o caso caísse nas mãos de Moro. “Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, disse o senador roraimense, um dos principais articuladores do impeachment de Dilma.

Jucá orientou Machado a se reunir com Renan e o ex-presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) para articular uma “ação política”. O ministro disse que o governo Michel Temer construiria um pacto nacional “com o Supremo, com tudo”. Machado disse: “Aí parava tudo”. “É. Delimitava onde está, pronto”, emendou Jucá, a respeito das investigações.

O advogado de Jucá, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente “jamais pensaria em fazer qualquer interferência” na Lava Jato e que não há qualquer ilegalidade no diálogo entre os dois peemedebistas.

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