30 de novembro de 2016 • 6:56 pm

Política

Chantagem: Lava Jato ameaça renunciar por causa de punição.

A decisão dos procuradores remete à chantagem ao fraco governo de Michel Temer.

Por: Da Redação
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A Força Tarefa da Lava Jato convocou entrevista coletiva nesta quarta-feira, 30, para repudiar o texto final do pacote de medidas anticorrupção aprovado nesta madrugada na Câmara dos Deputados.

Deltan Dallagnol

Deltan Dallagnol, procurador.

Os procuradores ameaçaram renunciar caso o projeto seja sancionado pelo presidente Michel Temer. “Não será possível continuar a Lava Jato se a lei da intimidação for aprovada. Vamos renunciar coletivamente”, disseram eles em evidente chantagem ao Presidente da República, Michel Temer.

Onze integrantes do grupo de investigação afirmaram que podem deixar a força tarefa e seguirem para os seus Estados e atribuições de origem se a lei que veda a independência de promotores, procuradores e juízes – nominada de “Lei da Intimidação” – for aprovada.

“Se nós os acusarmos, nós seremos acusados”, resumiu o procurador da República e um dos coordenadores da investigação, Carlos Fernando dos Santos Lima. “As mudanças na lei são claras no sentido de responsabilizar pessoalmente procuradores, magistrados e promotores. Os parlamentares aproveitaram um projeto contra a corrupção para se proteger”, disse.

De acordo com o procurador da República Deltan Dallagnol, o Congresso “sabe muito bem o que está fazendo”, embora esteja fugindo dos interesses da sociedade. “O mesmo espírito de autopreservação que moveu a proposta de autoanistia moveu e move a intimidação de promotores, procuradores e juízes. O objetivo é estancar a sangria”, afirmou. Ele se refere a um áudio vazado em que o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) havia mencionado que era necessário “estancar a sangria” provocada pela Operação Lava Jato.

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