18 de Maio de 2016 • 9:50 pm

Brasil

Líder do governo Temer é indiciado como mandante de assassinato

Indicação de André Moura gera crise no Congresso. O líder é braço direito de Eduardo Cunha.

Por: Da Redação
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A indicação do deputado André Moura (PSC-SE) como líder do governo na Câmara provocou constrangimento generalizado entre parlamentares de vários partidos, em situação que agrava ainda mais a crise política que acomete a Casa. Os líderes da chamada “oposição pelo Brasil” – formada pelo DEM, PSDB, PPS e PSB – apontam o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como o responsável pela indicação de Moura.

Plenário da Câmara.

Plenário da Câmara.

“A indicação de André Moura foi feita por Eduardo Cunha, que pressiona o presidente [interino] Temer”, diz o líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino (AM).

A indicação de Moura atropelou o convite feito pelo ministro-chefe da Secretaria de Relações institucionais, Geddel Vieira Lima, que convidou o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) para o cargo de líder do governo na Câmara. Os deputados do DEM não entenderam a manobra e creditam a mudança à excessiva influência de Eduardo Cunha sobre Michel Temer.

Em sua primeira entrevista como líder de Temer na Câmara, André Moura teve que dar explicações sobre os processos a que responde como réu no Supremo Tribunal Federal, entre eles por assassinato e formação de quadrilha. Ele também é um dos investigados na Operação Lava Jato. Os assuntos de interesse do governo que o deputado deveria tratar no primeiro dia como líder perderam a importância diante das denúncias de chantagem de Cunha sobre Temer.

André Moura disse que não se sente constrangido devido à situação de réu na Operação Lava Jato. Em referência a outra pendência judicial, o deputado garante que o procurador estadual que pediu a abertura de processo contra ele como mandante de assassinato deve pedir o arquivamento da causa.

Ele também nega quer Eduardo Cunha tenha tido influência sobre a indicação do seu nome como líder do governo.

“Eduardo Cunha não teve ingerência na minha indicação e nem terá influência sobre o meu trabalho na liderança”, disse Moura.

A permanência do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), também é atribuída por vários deputados a Eduardo Cunha. Ainda usufruindo da residência oficial da Casa em Brasília, Cunha atua para fortalecer ainda mais a sua bancada interpartidária, que pode chegar a 250 deputados, na maioria evangélicos como ele. O presidente afastado nega a interferência entre os colegas.

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