24 de setembro de 2015 • 7:39 pm

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Justiça se fez. Mas cadê o corpo do servente de pedreiro?

Há onze anos, família de Carlos Roberto luta por justiça e procura pelo corpo que sumiu do IML

Por: Fátima Almeida
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Onze anos de espera. Dois dias de julgamento. Enfim, um alento para uma família que transformou a dor em coragem. A condenação do ex-cabo da Polícia Militar, ex-deputado estadual e ex-vereador por Maceió, Luiz Pedro da Silva, como mandante do assassinato do servente de pedreiro Carlos Roberto Rocha Santos, fecha um ciclo doloroso de luta por justiça, percorrido a duras penas, pela família do rapaz.
Desde a ocorrência do crime, em agosto de 2004, o pai de Carlos Roberto, Sebastião Pereira – gente simples, família humilde – tem resistido a todo tipo de pressão e ameaça, sem nunca desistir de lutar por justiça, enfrentando o poder de pessoas que muitas vezes se julgam senhores de vidas alheias; falando o que muitos gostariam de falar e repetindo o que poucos gostariam que ele calasse.
Desde o início, Sebastião e sua família falaram com a firmeza de quem sabe o que diz; e nesses anos todos, não recuaram um milímetro na certeza que tinham sobre a autoria do crime. Estavam certos? O Tribunal de Juri concluiu que sim.
Cabo Luiz Pedro foi condenado a 26 anos de cadeia e mais alguns meses.
Fecha-se o ciclo da busca por Justiça, mas outro permanece aberto feito ferida que dói. E o apelo que Sebastião fez ao ex-cabo da PM, durante o julgamento, revela que ele quer mais do que uma condenação. Mesmo depois de mais de uma década em que participou de mais de 100 atos de exumação e reconhecimento de cadáveres, sem sucesso, ele continua procurando um corpo para sepultar.
O corpo do seu filho, que desapareceu do Instituto Médico Legal e nunca foi encontrado.
Esse é o ciclo da vida que ele não consegue fechar

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