1 de março de 2016 • 8:11 pm

Política

Manobras de Cunha engessam Conselho de Ética e ele segue presidente da Câmara

Deputados não conseguem dar andamento ao processo de cassação do presidente da Câmara

Por: Da Redação
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Após mais de três horas de discussão, o Conselho de Ética encerrou mais uma reunião sem votar o parecer do relator Marcos Rogério (PDT-RO) no processo que ameaça o mandato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mesmo com o encerramento da discussão sobre o parecer, aliados do peemedebista laçaram mão de diversos artifícios para prolongar ao máximo a discussão até o início da Ordem do Dia.

Cunha: manobras contra cassação

Cunha: manobras contra cassação

Requerimento de inversão de pauta, adiamento, apresentação de inúmeras questões de ordem, discussões regimentais e até mesmo leitura de nota de repúdio. Foram vários os recursos utilizados para evitar a votação do parecer – que recebeu voto favorável do relator.

O primeiro deles foi o requerimento de inversão de pauta. Isso porque o segundo item previsto era a discussão do parecer preliminar do deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) sobre a representação contra o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), de autoria do PSD. Por 12 votos a 5 o requerimento foi rejeitado pelo Plenário do colegiado.

O segundo artifício foi a apresentação de uma série de questões de ordem e discussões regimentais. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) lembrou que a análise da representação contra Cunha pelo colegiado se arrasta há quatro meses. Parlamentares do PT, PSDB, DEM, PSB e PRB já se declararam favoráveis à continuidade do processo contra o presidente da Casa. “O deputado Eduardo Cunha precisa vir aqui dar explicações. Estamos chegando num momento que não dá mais para protelar”, observou o líder do Psol, Ivan Valente (SP).

Já Wladimir Costa (SD-PA) disse que continuará “combatendo a satanização dos companheiros que supostamente votam favoravelmente a Cunha”. O deputado também leu uma nota de repúdio ao presidente do conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA), que teria desrespeitado um servidor que auxilia parlamentares aliados do presidente da Casa nas questões regimentais.

O advogado de Cunha, Marcelo Nobre, argumentou que o peemedebista estaria sendo privado de seu direito de defesa prévia, ou seja, antes da votação do parecer sobre a continuidade do processo. O advogado também sustentou que não há provas que justifiquem a cassação do mandato de seu cliente.

Com o início da Ordem do Dia, a reunião foi suspensa. O presidente informou que a sessão será retomada após o encerramento dos trabalhos do Plenário, que costumam a se estender pela noite quando há matérias polêmicas em discussão. O mais provável, nesse sentido, é que o colegiado só volte a se reunir nesta quarta-feira, às 9h30.

Como a etapa de discussão do parecer já foi encerrada, e, além disso, o próprio relator e a defesa já se pronunciaram, o caminho fica livre para a votação. No entanto, quatro requerimentos de adiamento apresentados por aliados de Cunha devem ser apreciados antes. Se forem rejeitados, o parecer será enfim votado, porém, se a chamada “tropa de choque” do presidente da Câmara for vitoriosa, o processo permanece estagnado.

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