13 de Abril de 2017 • 8:55 am

Maceió

Mercado da produção: uma história de descaso e humilhação na cidade

Na verdade um estabelecimento municipal que atenta contra o meio ambiente e à saúde pública.

Por: Marcelo Firmino
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Uma vergonha histórica em Maceió é o Mercado da Produção. Em meio à lama, ao lixo e à agressão total ao meio ambiente e à saúde pública, ele vem desafiando gestores de toda ordem na Prefeitura Municipal.

A porta de entrada do mercado municipal de Maceió.(Fotos: Marcelo Firmino)

O mercado municipal de Maceió  (Mercado da Produção) é, sem dúvida nenhuma, o pior do Brasil. Lamentavelmente, não há sinalização nenhuma por parte da Prefeitura da capital, para mudar esse panorama que representa o descaso e a falta de compromisso com a população, bem como uma humilhação ao consumidor que frequenta o local. O mercado foi construído no bairro da Levada, início da década de 70, pelo governo do Estado e em seguida cedido ao Município.

Mas, quem se aventurou a ir ao mercado nesta quinta-feira, 13, se deparou, mais uma vez, com a imagem do caos absoluto, tanto dentro como fora dele.

O retrato do descaso

A água da chuva misturada ao esgoto tomou conta de todos os lados. No setor de peixes e crustáceos a situação para muita gente foi de verdadeiro terror, tamanha a podridão que eclodiu no lugar.

-Vendo peixe e galinha aqui há 20 anos e nunca vi melhoria de nada. O ambiente é sempre esse e quando chove piora. Eu sinto vergonha de tudo isso. – Disse Josefa Cordeiro de Lima, que começou a trabalhar nomercado ainda quando era adolescente.

Contaminação – Diante de um quadro caótico como este, o  risco real de contaminação de produtos é muito grande. O pior e saber que a Prefeitura tem seu Departamento de Vigilância Saitária, mas fecha os olhos para tamanho descaso, que ameaça gravemente a saúde pública.

Por dentro. a imundície…

Em todos os ambientes.

Por fora, o meio ambiente que se tem.

Mas, além dos órgãos municipais de fiscalização, as instituições estaduais que fiscalizam o meio ambiente também patinam diante de tamanha agressão ao maceioense. Em janeiro deste ano o Ministério Público Estadual ajuizou ação na justiça para interditar o mercado da produção por absoluta “falta de condições higiênico-sanitárias e por ameaçar a segurança dos comerciantes, a saúde pública e o meio ambiente”. A ação dorme na 14ª Vara Cível da Fazenda Municipal.

Prazer –  Na maioria das capitais brasileiras, o mercado municipal é cartão de visita. Trata-se, normalmente, de um lugar prazeiroso para comprar, para comer e se divertir.

“Maceió não precisa ter o famoso Mercado Municipal de São Paulo, mas um mercado que respeite o consumidor e o trabalhador que nele atua”, disse o Defensor Público aposentado, Silvio Duarte, frequentador do mercado há mais de 30 anos. Ele fez questão de dizer que na vizinha capital, Aracaju, “o mercado municipal segue a tradição de lugar harmonioso com o meio ambiente”.

Silvio: frequentador do mercado.

Em Maceió, a Prefeitura silencia diante de tudo. Não foram poucas as vezes que o mercado sempre apareceu como promessa de campanha eleitoral no passado e até agora na última eleição municipal.

O próprio senador Benedito de Lira (PP), aliado do atual prefeito da cidade, Rui Palmeira (PSDB) disse na época da campanha que já havia conseguido R$ 40 milhões para construir um novo mercado. Isso dito em 2013 e 2014, quase que o tempo inteiro, mas o dinheiro nunca apareceu.

Enquanto isso, o mercado é isso que aí está. Uma vergonha.

 

 

 

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