18 de Maio de 2015 • 10:52 pm

Política

Militares do caso Davi vão depor em Brasília na CPI da violência

O deputado federal Paulão apresentou o requerimento para a convocação dos militares na CPI da violência contra jovens negros e pobres.

Por: Da Redação
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CPI ouve depoimentos de mães aflitas.

CPI ouve depoimentos de mães aflitas.

A Assembleia ficou lotada durante a audiência pública.

A Assembleia ficou lotada durante a audiência pública.

A cada 19 horas um jovem negro e pobre tomba nas ruas brasileiras, assassinado, e logo vão compor as estatísticas do Mapa da Violência no País. O número foi apresentado na audiência pública da CPI da Violência Contra Jovens Negros e Pobres, formada na Câmara dos Deputados, em Brasília, mas que nesta segunda-feira, 18 esteve em Maceió para conhecer a realidade do Estado que aparece como campeão da Violência no País.

Um requerimento apresentado à Mesa da Comissão pelo deputado federal Paulão (PT), membro da CPI determina que a comissão deve convocar para depor, na Câmara, todos os policiais envolvidos no emblemático caso Davi Silva. O caso foi relatado aos membros da comissão  por dona Maria José e um sobrinho no plenário da Assembleia. Maria, a mãe de Davi, visivelmente emocionada e fragilizada disse que seu filho, um adolescente, foi pego por quatro policiais militares no conjunto cidade Sorriso, na região do Benedito Bentes, colocado em um camburão e em seguida desapareceu.

O caso, o ocorrido em agosto do ano passado, chegou a ser investigado pela delegada Luci Mônica que indiciou os militares, mas o Ministério Público não imputou crime a Polícia Militar. Nessa época, o ex-Procurador Geral de Justiça, Eduardo Tavares, havia deixado a Secretaria de Defesa Social para se candidatar ao governo de Alagoas.

A  família de Davi continuou sua peregrinação para encontrar o paradeiro do filho, mas não encontrou apoio no governo de Teotônio Vilela Filho (PSDB) e muito menos na Polícia Militar. Maria José da Silva e seu sobrinho destacaram no entanto a coragem da delegada Luci Mônica de indiciar os quatro militares do caso. Os quatro agora serão chamados para prestarem depoimentos na CPI em Brasília.

Maria José da Silva, 57, mãe de Davi, também foi vitima da violência em novembro passado, quando foi atingida com um tiro na cabeça durante um atentado em um ponto de ônibus, no bairro da Levada. Ela foi levada para o Hospital Geral do Estado e recebeu alta poucos dias depois. Mas, atualmente sofre sequelas do atentado sofrido.

Várias mães que perderam seus filhos para a violência em Alagoas prestaram depoimentos aos parlamentares e pediram providências para que os casos relatados não fiquem impunes. Entre elas, a socióloga Ana Cláudia Laurindo, que fez um depoimento duro contra as autoridades da área de segurança, mas ainda emocionado.

Os trabalhos da CPI que veio a Maceió foram conduzidos pelo presidente da comissão, deputado Reginaldo Lopes (PT/MG) e  pela relatora, deputada Rosângela Souza (PRB/ RJ).

 

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