17 de novembro de 2016 • 5:49 pm

Brasil

MPF: propina bancou a vida de luxo de Sérgio Cabral

Os procuradores apontam que R$ 224 milhões foram pagos em propina para o grupo de Cabral

Por: Da Redação
Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Para cumprir com o combinado e pagar propinas para o núcleo político liderado pelo então governador Sérgio Cabral (PMDB), segundo o Ministério Público Federal (MPF), as empreiteiras envolvidas não se restringiam a repassar dinheiro.

Ex-governador Sérgio Cabral e esposa.

Ex-governador Sérgio Cabral e esposa.

De acordo com os investigadores, grupos como a Andrade Gutierrez, a Carioca Engenharia e a Odebrecht, entre outros, presentaram Cabral, sua esposa, Adriana Ancelmo, e outros operadores do esquema com viagens internacionais, joias, uma lancha e até um helicóptero.

“Foi identificado que integrantes da organização criminosa de Sérgio Cabral amealharam e lavaram fortuna imensa, inclusive mediante a aquisição de bens de luxo, assim como a prestação de serviços de consultoria fictícios”, diz o MPF. A Operação Calicute afirma que o ex-governador é o verdadeiro dono de uma lancha batizada de Manhattan Rio, avaliada em R$ 5 milhões, ancorada na marina do Condomínio Portobello, em Mangaratiba, e registrada em nome da empresa do operador Paulo Fernando Magalhães Pinto, também alvo da operação desta quinta-feira (17).

Identificado nas planilhas das empreiteiras como “oxigenação”, o pagamento de propina para o grupo de Sérgio Cabral envolveu ainda obras de arte e jantares em restaurantes sofisticados. No relatório do MPF foi apontada ainda a suspeita de que o peemedebista seja o verdadeiro dono do helicóptero prefixo PPMOE, também registrado em nome da empresa de Paulo Fernando, e vendido há dois meses para um grupo norte-americano. Os procuradores suspeitam que o helicóptero foi vendido justamente para evitar que fosse bloqueado pela Justiça.

Ao todo, os procuradores apontam que R$ 224 milhões foram pagos em propina para o grupo de Cabral, a maioria da quantia paga em forma de mesada para os integrantes do governo, conforme a denúncia. Em 2009, tornou-se público um presente dado por Fernando Cavendish, presidente da empreiteira Delta, à então primeira-dama, Adriana Ancelmo. Trata-se de um anel da grife Van Cleef & Arpels, no valor de R$ 800 mil, comprado em Mônaco e exibido pelo casal em um jantar em Paris.

Na rotina de Adriana Ancelmo, também constam itens de luxo, como vestidos e sapatos de marcas conceituadas. Segundo o procurador do MPF-RJ Lauro Coelho Junior, a ex-primeira-dama chegou a receber seis vestidos como “vantagens indevidas” vindas de empreiteiros. Ela chegou a ter a prisão solicitada pelo Ministério Público Federal. Porém, o juiz Marcelo Bretas negou e determinou que a advogada fosse levada coercitivamente para depor.

Sérgio Cabral foi preso preventivamente nesta quinta-feira. Além do ex-governador, também foram presos Wagner Jordão Garcia, seu ex-assessor, e o ex-secretário de Governo Wilson Carlos. Também são alvos da Calicute o ex-secretário estadual de Obras Hudson Braga e o ex-assessor do governador Carlos Emanuel de Carvalho Miranda.

Deixe o seu comentário