4 de março de 2016 • 11:54 am

Brasil

Ministério Público Federal alega que Lula foi beneficiário do esquema do petrolão

Os coordenadores da força-tarefa afirmam que a investigação não constitui juízo de valor sobre Lula nem o seu significado histórico

Por: Da Redação
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Na justificativa para determinar buscas, apreensões e conduções coercitivas na 24ª fase da Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal no Paraná aponta o ex-presidente Lula como um dos beneficiários do esquema de corrupção na Petrobras. Levado por agentes da Polícia Federal para depor nesta manhã, Lula é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, “praticados por meio de pagamentos dissimulados feitos pelo empresário e pecuarista José Carlos Bumlai e pelas construtoras Odebrecht e OAS e pessoas associadas”.

Lula: beneficiário segundo MPF.

Lula: beneficiário segundo MPF.

De acordo com os procuradores, há evidências de que Lula recebeu repasses do petrolão por meio da destinação e da reforma de um apartamento triplex, no Guarujá, e de um sítio, em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos dois imóveis e da armazenagem de bens por uma transportadora. O MPF informa que também são apurados os pagamentos ao ex-presidente feitos por empresas investigadas na Lava Jato a título de doações e palestras.

“Esse grande esquema era coordenado a partir das cúpulas e lideranças dos partidos políticos que compunham a base do governo federal, especialmente o Partido dos Trabalhadores, o Partido Progressista e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro. O ex-presidente Lula, além de líder partidário, era o responsável final pela decisão de quem seriam os diretores da Petrobras e foi um dos principais beneficiários dos delitos”, diz trecho da nota à imprensa divulgada pelo MPF.

Os coordenadores da força-tarefa afirmam que a investigação não constitui juízo de valor sobre Lula nem o seu significado histórico. “Mas sim um juízo de investigação sobre fatos e atos determinados, que estão sob suspeita. Dentro de uma república, mesmo pessoas ilustres e poderosas devem estar sujeitas ao escrutínio judicial quando houver fundada suspeita de atividade criminosa, a qual se apoia, neste caso, em dezenas de depoimentos e ampla prova documental”, diz o comunicado do MPF. “Embora o ex-presidente mereça todo o respeito, em virtude da dignidade do cargo que ocupou (sem prejuízo do respeito devido a qualquer pessoa), isso não significa que está imune à investigação, já que presentes justificativas para tanto”, acrescenta a nota.

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