14 de março de 2016 • 7:58 pm

Maceió

MST emite nota de apoio a pastores que acolheram gays na igreja

Segundo trecho da nota, a trajetória dos pastores frente à comunidade reforça a a necessidade da solidariedade

Por: Da Redação com Assessoria
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O MST lançou  uma nota pública em solidariedade à comunidade Batista do bairro do Pinheiro, em Maceió, e em apoio aos Pastores Wellington e Odja Soares, que vêm recebendo ataques e ameaças pela aceitação de homossexuais como membros da igreja.

Sem terra: apoio aos pastores.

Sem terra: apoio aos pastores.

O Movimento destaca o respeito e confiança na história dos pastores que sempre estiveram lado a lado das organizações populares de Alagoas, na luta contra toda forma de injustiça e exploração.

Segundo trecho da nota, a trajetória dos pastores frente à comunidade reforça a necessidade do Movimento reafirmar seu apoio e solidariedade.

“Tais posições, colocam-nos na responsabilidade e compromisso de externar nossa solidariedade ao companheiro Pastor Wellington e a companheira Pastora Odja, bem como nosso repúdio aos ataques por diversos meios, de caráter intolerante, homofóbico e excludente, que diferenciam-se dos valores dos e das que querem construir um outro tipo de sociedade, guiada pelo respeito, justiça e igualdade”, afirma.

Confira a nota na íntegra: 

“Malditas sejam todas as cercas 

que nos privam de viver e de amar!”

 

O Movimento dos Trabalhadores  Rurais Sem Terra – MST vem à público manifestar apoio e solidariedade ao Pastor Wellington Santos e Pastora Odja Santos, diante dos recentes ataques e ofensas que vêm sofrendo em virtude da formalização da aceitação de pessoas homoafetivas como membros da Igreja Batista do Pinheiro, Maceió, Alagoas.

 

Reconhecemos que foi uma decisão histórica e corajosa tomada pelos membros dessa comunidade cristã. Compartilhamos de um profundo respeito, admiração e confiança à trajetória da Comunidade Batista do Pinheiro, em que, historicamente, se coloca como aguerrida defensora dos trabalhadores e trabalhadoras do campo e contra todas as formas de injustiça social em nosso estado.

 

Essa Igreja, atualmente liderada pelo pastor Wellington Santos e pela pastora Odja Santos, vêm caminhando lado a lado com o povo, sendo protagonistas na defesa da igualdade social, contra a intolerância, o preconceito e toda forma de violência ao povo alagoano, jamais se furtando do acolhimento e da solidariedade aos movimentos sociais.

É importante lembrar que a intolerância mata todos os dias dezenas de pessoas, posicionando Alagoas como o estado mais perigoso para jovens negros, o terceiro mais perigoso para as mulheres e o quinto estado no Brasil mais perigoso para homossexuais viverem. No Nordeste, lidera o ranking de assassinatos por homofobia, colocando esta como uma questão urgente para a reflexão e ação das organizações sociais e populares, do Estado e também da Igreja.

Diante desses índices, o Pastor Wellington e a Pastora Odja, com o apoio da membresia da Igreja Batista do Pinheiro, têm assumido uma importante postura no conjunto da sociedade alagoana,  em que podemos citar, por exemplo, o recente fato da Igreja ter publicizado uma nota contra os ataques de intolerância religiosa dirigidos aos grupos de matriz africana por segmentos evangélicos.

Tais posições, colocam-nos na responsabilidade e compromisso de externar nossa solidariedade ao companheiro Pastor Wellington e a companheira Pastora Odja e à toda comunidade da Igreja Batista do Pinheiro, e afirmar nosso repúdio aos ataques dirigidos à eles, por diversos meios, de caráter intolerante, homofóbico e excludente, que diferenciam-se dos valores do respeito, justiça e igualdade, fundamentais entre aqueles e aquelas que almejam construir um outro tipo de sociedade, pautada nos ensinamentos paulinos de permanecermos “na fé, na esperança e no amor”.

 

Somos testemunhas que a Igreja Batista do Pinheiro é guiada pelo amor ao próximo, respeito, humildade, inclusão, sensibilidade e o cuidado com todas as vidas sem qualquer discriminação, que nos fazem permanentemente recobrar o verdadeiro sentido da vida e da fé.

 

Seguiremos ao lado e à disposição daqueles e daquelas que se colocam nas mesmas fileiras em busca da justiça e do respeito à humanidade em toda a sua diversidade e que tem a coragem – atributo de poucos – de amar e acolher verdadeiramente ao próximo.

 

Continuamos nossa caminhada contra todas as cercas, visíveis e não visíveis, que nos impedem de viver de maneira digna e livre de toda e quaisquer amarras de ódio, raiva e segregação que sustentam os valores da sociedade capitalista, que oprime, exclui, explora e mata homens e mulheres por serem negros e negras, pobres, gays, lésbicas, transexuais e travestis.

 

Assim, manifestamos todo apoio aos pastores Wellington, Odja e toda a comunidade Batista do Pinheiro por terem a coragem de amar e acolher à todos e todas.

 

Um fraterno abraço,

 

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Alagoas, 14 de Março de 2016

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