4 de Fevereiro de 2017 • 8:08 am

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Muito além do canal do sertão, a seca causa dor, sofrimento e mata

Quem pode, compra bombas, canos e monta sua estrutura aleatória

Por: Marcelo Firmino
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A seca no sertão alagoano causa dor, muito sofrimento e mata. Em contraponto ao cenário de desertificação um manancial hídrico artificial, chamado Canal do Sertão, se exibe, até então, em mais de 70 quilômetros da região, sem que a população mais humilde saiba exatamente o que fazer com ele.

E pelo visto até agora quase ninguém sabe. Há raras exceções às margens do canal. Afinal, sempre há um fazendeiro mais abastado para fazer a captação clandestina da água e dessa forma abastecer sua casa e irrigar suas terras, criando oportunidades de produzir pastos e alimentos no seu entorno.

O canal desfila silenciosamente.

Quando pensado e depois de criado o que gestores em todos os governos diziam é que o sertão iria virar mar. “Um mar de riquezas, graças ao canal”. Era quase uma unânimidade.

Mas, esta ainda não é uma realidade e pelo ritmo fica difícil a acreditar que o sonho ou o desejo se materialize em sua plenitude. Até agora o que pontuou, em muitos casos, foi a demagogia explícita, lá atrás, de muitos que usaram o canal para dizer que estavam salvando a pátria e assim conquistarem a simpatia e os votos dos sofridos homens e mulheres da região.

Os sonhos de muitos continuam, mas, por enquanto são sonhos. O canal nesse sentido não anda. E está passando da hora de andar. A seca faz estragos. É evidente que o canal não vai acabar jamais com ela, mas pode sim melhorar consideravelmente a convivência das famílias nos longos tempos de estiagem.

Os projetos prometidos precisam sair do papel para socorrer uma gente de boa vontade, de fé e trabalhadora que se satisfaz com coisas simples para o seu viver.

O governador Renan Filho (PMDB) já deixou claro que este deve ser o melhor ano do seu governo. É preciso, portanto, inserir nesses planos o aproveitamento real e eficiente do canal do sertão para atender a uma demanda especialíssima e que há séculos aguarda a qualidade de vida prometida.

Quem pode compra bombas e canos e monta sua estrutura aleatória.

Para a gente boa de lá é difícil entender como é que água desfila livremente a poucos metros da porta de casa sem poder acessá-la, tê-la, usá-la ou bebê-la.

É hora de fazer, é hora de irrigar não apenas a terra, mas a alegria de viver de quem está à vida inteira a esperar.

 

1 Comentário

  1. Grande Firmino,

    Relatou com maestria a pura realidade de um povo sonhador e sofredor. O “mar” veio mais do que salgado, não trouxe o prometido pelos “falacianos”!!!! Será que tem peixe???

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