21 de março de 2017 • 8:30 am

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Na sombra da Carne Fraca, nova lista da Lava Jato chega hoje ao relator do STF

No Brasil, há sempre um escândalo pronto para abafar outro, em caso de necessidade maior. Afinal, diante de tanta sujeira política, a carne é mesmo fraca.

Por: Fátima Almeida
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Enquanto a podridão da Carne Fraca escorre a céu aberto dos frigoríficos brasileiros, com a superexposição de empresas investigadas – algumas ainda sem elementos que justifiquem a execração pública – a podridão política que escorre no caldo da Lava Jato segue encaixotada em uma sala-cofre, protegida pelos rigores do sigilo judicial, no prédio do Supremo Tribunal Federal.

Na Operação Carne Fraca, dos 21 frigoríficos investigados pela Polícia Federal, apenas 3 indústrias apresentaram indícios de práticas lesivas ao consumidor e à saúde pública, segundo os laudos da própria PF. Práticas graves; cabíveis denúncias e sanções aplicadas, se realmente confirmadas. O que não é cabível é a execração pública de todo um setor importantíssimo da economia nacional, com a sujeira jogada em empresas que apenas foram ou estão sendo investigadas, e contra as quais nada foi constatado.

Enquanto isso, a famigerada lista com centenas de nomes citados por executivos e ex-dirigentes da Odebrecht, beneficiados com o regime de delação premiada da Lava Jato, é preservada. Está trancafiada, guardada a sete chaves, no STF desde a terça-feira da semana passada (14), quando foi encaminhada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para o ministro relator Edson Fachin, e só nesta terça-feira (21), sete dias depois, deve chegar às mãos do destinatário.

Alega-se que a trabalheira para digitalizar todo o material no protocolo atrasou a entrega dos documentos no gabinete do ministro do STF. Vá lá que seja!

Mas, exceto pelo que vaza aqui ou acolá, a lista de Janot, com centenas de documentos que fundamentam cerca de 300 pedidos de investigação, se mantém sob sigilo.  Ao todo, são 83 pedidos de abertura de inquérito contra políticos com mandato (com foro privilegiado) e mais de 200 pedidos de redistribuição para outras instâncias, de trechos das delações que citam pessoas sem foro no STF, segundo apurou reportagem da TV Globo.

Fachin assumiu a relatoria da Lava Jato, após a morte do ministro Teori Zavascki, em um acidente aéreo, no início do ano. E não tem prazo para decidir sobre os pedidos de abertura de inquérito feitos pela Procuradoria Geral da República (PGR). E nem sobre o pedido de quebra do sigilo que protege 107 nomes privilegiados, citados nas delações.

E nem precisa se preocupar tanto com isso. No Brasil, há sempre um escândalo pronto para abafar outro, em caso de extrema necessidade. Mesmo que isso arrebente a já combalida economia do país.

Afinal, diante de tanta gente poderosa envolvida na Lava Jato, a carne é mesmo fraca.

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