23 de março de 2017 • 6:24 am

Brasil

No Brasil de Temer, as relações de trabalho agora estão precarizadas

Deputados aprovam projeto da terceirização para atividades fins no setor público e privado

Por: Da Redação
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De acordo com Henrique Fontana (PT-RS), o projeto traz um “grande prejuízo ao mundo do trabalho”. “Ele não protege nenhum trabalhador terceirizado. Ele não vai melhorar em nada para quem já é terceirizado. Aqui é só para empurrar aqueles que hoje tem um emprego direto, em condições mais seguras, um emprego melhor com todos os direitos respeitados, querem empurrar todos esses para a demissão para que eles retornem em uma empresa terceirizada com um salário menor e sem a estabilidade que tinham antes”, avaliou o deputado.

“A precarização das relações de trabalho que existe hoje naquelas áreas onde a terceirização prevalece ela será imposta neste momento de desemprego, para todo brasileiro. Chega a ser cínico ouvir de alguns colegas aqui dizendo que um trabalhador agradeceu por conseguir trabalho em uma empresa terceirizada. Enquanto, na verdade, a pessoa abre mão tantas e tantas vezes do seu direito porque não está encontrando um trabalho formal, adequado, protegido, com a carteira assinada”, reagiu Maria do Rosário (PT-RS) ao dizer que o projeto é uma “múmia saída dos armários mais terríveis da Câmara”.

Enquanto isso, Darcísio Perondi (PMDB-RS) destacou que os congressistas favoráveis ao projeto querem “libertar os operários da escravidão dos sindicatos”. O deputado citou exemplos da Europa e da Ásia que, de acordo com ele, aumentaram a produtividade após usar o “instrumento da terceirização”.

Pato – Símbolo das manifestações da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) contra a carga de impostos e o governo Dilma, a figura da ave foi usada no plenário na tarde desta 4ª. Durante discussão, deputados federais contrários à proposta levantaram boias com a forma do animal. Nos adesivos colados, a frase “devorador de direitos”. “Os patos da Fiesp acabam com os direitos dos trabalhadores”, disse o líder do PT na Câmara, o deputado Carlos Zarattini.

O líder da minoria na Casa, José Guimarães (PT-CE), disse que o protesto foi uma forma de revide. “Os patos foram um símbolo da Fiesp durante o golpe contra a presidente. Agora nós devolvemos o pato para eles, principalmente para o presidente [da Fiesp, Paulo Skaf]. Aquele pato que simbolizava o golpe é um pato ‘devorador de direitos’, inclusive vamos pintar de pato este país”, disse.

 

Júlio Lopes (PP-RJ) chamou a legislação trabalhista vigente de “enrijecida”. O deputado explicou que as leis atuais oneram o posto do trabalho em 28% do custo do trabalhador direto. “É essa legislação antiquada que não flexibiliza a negociação entre empregados e empregadores, que custa demais ao trabalho formal e expulsa da legalidade e da formalidade metade da população brasileira trabalhadora. O projeto cria uma nova perspectiva de empregabilidade e de prosperidade”, disse.

Pouco antes da votação, membros da oposição fizeram manifestação contrária à proposta. Eles levantaram diversos patos infláveis afirmando que, em caso de aprovação do texto, “a população que vai pagar o pato”. Neste momento, pessoas que acompanhavam a discussão da galeria também reagiram e gritaram: “Não, não, não! Não à terceirização”.

 

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