17 de novembro de 2015 • 8:42 am

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O choro pela glamourosa Paris e os mortos de Mariana enterrados na lama

No rastro da comoção mundial com os atentados terroristas em Paris, os brasileiros também se manifestam solidários, em momentos, raivosos, em outros, indignados , enfim, com todos os sentimentos possíveis…

Por: Marcelo Firmino
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No rastro da comoção mundial com os atentados terroristas em Paris, os brasileiros também se manifestam solidários, em momentos, raivosos, em outros, indignados , enfim, com todos os sentimentos possíveis juntos ou soltos.

E é compreensível que isso ocorra tamanha é a massisificação da televisão no País, que adora uma tragédia por razões óbvias. As informações raramente são aprofundadas, mas a estratégia é fazer o povo sentir, se comover e chorar. Nesse papel, os âncoras facilitam o lado do telespectador por que eles mesmos ensaiam o choro. Vozes embargadas, semblantes mais que tristonhos e uma infinidade de pieguices no video, como brasileiro gosta.

A audiência fala alto e rende. Rende muito.

Obviamente, que não há razão para não noticiar. Pelo contrário. Mas seria fundamental aprofundar a discussão sobre o episódio que vitimou mais 120 parisienses.

Dizer sim que foi o estado islâmico, mas ao mesmo tempo esclarecer sobre o Islã, enquanto religião, e  seus seguidores que são mais de 1,6 bilhão no mundo inteiro, o que representa 23% da população mundial, mas que a grande maioria não tem nada ver com terrorismo. É gente pacífica.

Lamentavelmente, não se fala sobre geopolítica da questão que demanda interesses e interesses de governos e governos no ocidente, embora nada justifique o terror da minoria dos seguidores do Islã.

Em suma, o terror há que ser  combatido sempre. Lá e cá.

Enquanto as principais redes de TV vão dedicando sua maior parte de tempo para o atentado parisiense, o atentado de Mariana, em Minas Gerais, vai sendo colocado de lado. O terror esteve lá sim.

E o noticiário mineiro já havia alertado que a tragédia de Mariana estava anunciada. O rompimento das barragens de Fundão e Santarém, em 5 de novembro na unidade industrial de Germano, entre os distritos de Mariana e Ouro Preto, provocou uma onda de lama que devastou distritos próximos.

Ainda há relatos de desaparecidos. O número total de mortes  é desconhecido. Lá se matou um rio e quase todo o sistema ecológico que o envolvia.

Sem dúvida,  o terror está lá e os mortos não se sabe quantos. Entre os distritos, um deles foi totalmente devastado.

Mariana: o terror passou aqui.

Mariana: o terror passou aqui.

As primeiras informações da televisão brasileira sobre Mariana foram tímidas, desconexa, sem choro nem vela e muito menos flores parisienses. Talvez, por que por trás da tragédia estivesse uma mineradora que costuma render milhões em publicidade para as grandes redes de TV.

Assim, fez-se a opção por fazer o povo chorar com as imagens da glamourosa Paris.

Tenha dó.

 

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