31 de agosto de 2016 • 12:42 pm

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O mundo sem espelhos: com intolerância, crimes, ganância e os erros dos outros

O Brasil segue o rumo onde prevalecem as questões de imediatos interesses da sociedade, recheadas de atropelos, autoritarismo e egocentrismo.

Por: Marcelo Firmino
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O mundo tem dado uma guinada à direita de forma doentia e intolerante. E não é que a esquerda seja o oásis social – e nunca foi – mas as referências de valores do ser estão sendo enterrados na lama, com o beneplácito de líderes políticos que rezam em uma cartilha que vilipendia direitos e a própria cidadania. É como se o homem nada valesse e alguém estivesse querendo colocar tudo de ponta à cabeça.

Quem não se adequa a esses princípios logo é tratado como louco, desnorteado, fora da realidade.  Se bem que os loucos talvez estejam mais sadios do que os ditos normais, nessa era onde tudo é descartável. Desde a verdade a ética, enquanto valores inerentes entre os humanos.

O Brasil, portanto, segue esse rumo onde prevalecem as questões de imediatos interesses da sociedade, recheadas de atropelos, autoritarismo e egocentrismo.  E nesse aspecto cada um surge com a sua “verdade” e absorve o caldo de cultura do momento como se fosse a obra prima do bel prazer. Que o digam, pois, as redes sociais e seu vasto conteúdo bizarro – e muitas vezes criminoso.

Esse, portanto, é o mundo que temos. Obviamente que em qualquer lugar há mentes boas e mentes que mentem, enganam, roubam, matam e fazem do cinismo o estilo de vida. Não são poucos. E essa gente, dos dois lados, está em toda parte. Incluindo, ou principalmente, o (no) meio político. Aliás, este, sobretudo, por que representa, resguardadas às devidas proporções, a casta dos enganadores da boa fé alheia e da ganância.

O que acontece no País nos dias de hoje evidencia esse conceito. A população sabe, vê, mas não olha. E assim segue a caravana formada pelos que respeitam – e muito – os de terno e gravata, mas não dedicam nenhum respeito ao pedinte, ao descamisado, ao faminto. O olhar nesse sentido é sempre de discriminação, preconceito e repulsa.espelho

Daí, não há por que estranhar o comportamento dos senadores na votação do impeachment de Dilma Rousseff. Eles são o que são. Mas, não chegaram lá, como todo Congresso Nacional, de paraquedas. Foram votados. E como tal defendem tão somente os seus interesses. E quando dizem que falam em nome do povo também não há razão para estranhezas por que sempre foi assim, desde o Senado romano.

Enfim, o povo também é o que é nesse mundo quase às avessas. Já não liga mais para a vergonha e por isso não sente qualquer desconforto em envergonhar o outro. Mais que isso: está sempre buscando apontar o erro do outro, sem remorso, pudor ou qualquer tipo de responsabilidade. E vai ser disso para pior…

É o mundo sem espelhos.

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