24 de agosto de 2015 • 7:55 pm

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O que há por trás da greve da Educação?

Paralisação na rede estadual completa 40 dias, e não deve ser encerrada até a segunda semana de setembro.

Por: Fátima Almeida
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Professores em greve

Professores em greve

De assembleia em assembleia; de protesto em protesto, a greve dos professores da rede estadual de ensino completa, hoje, 40 dias. Começou no dia 16 de julho, depois de dois meses e meio de negociação, em que o governo estagnou na oferta de um reajuste de 7% e a categoria emperrou na recusa. O índice requerido pelo magistério é de 13%, mas o governo alega as dificuldades de caixa e os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Cada um do seu lado, com suas razões; com seus argumentos. Mas nesse bate-cabeça, não é o governo quem sofre o maior dano causado pela paralisação do magistério. E por mais que se considere que a causa é justa – e é – já passou da hora de se pensar nos verdadeiros prejudicados com essa situação, que são os estudantes, e adotar alternativas de pressão que não seja a greve.

Que tal, manter as escolas funcionando, eleger uma por semana e levar alunos e professores para aulas em acampamentos na porta do Palácio do Governo; na sede da Secretaria da Educação; quem sabe até no plenário da Assembleia Legislativa?

É preciso olhar o problema com sensibilidade. O que há por trás da greve do magistério são mais de 200 mil jovens e adolescentes fora da sala de aula, amargando um prejuízo de 40 dias sem conteúdos do ano letivo de 2015; são pais desesperados sem saber como garantir aos filhos o direito constitucional de estudar; é a potencialização da vulnerabilidade social desses jovens e adolescentes, parados há mais de dois meses – considerando que a greve praticamente emendou com o recesso escolar do meio do ano.

E pelo jeito, se nem a decisão da Justiça, que considerou a paralisação ilegal, conseguiu trazer os professores de volta às salas e aula, a essa altura, a greve deve continuar, pelo menos até a segunda semana de setembro. É que nos dias 2 e 3 tem eleição da nova diretoria do Sinteal para o próximo triênio. E a chapa da diretoria atual enfrenta a concorrência da oposição. Precisa mostrar serviço, mantendo o fôlego da mobilização.

E se a greve foi mantida até aqui, com o discurso de que 7% não é reajuste, dificilmente será encerrada, às vésperas de uma eleição, sem que esse índice avance.

Tô certa?!

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