20 de agosto de 2016 • 2:43 am

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O recado das meninas do Brasil: Não desistam da gente!

Seleção feminina deixa a mensagem de que é preciso lutar, para que o futebol seja um campo de oportunidades para homens e mulheres

Por: Fátima Almeida
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seleo_brasileira_e_chileDepois de brilharem diante dos holofotes do mundo, com um futebol vibrante, criativo e cheio de garra, enaltecido nas duas primeiras vitórias nos Jogos Olímpicos de 2016, a Seleção Brasileira de Futebol Feminino se despediu com um melancólico 4º lugar.

Nem ouro, nem prata, nem bronze. A seleção que fez o Brasil inteiro vibrar, se emocionar, bater no peito com orgulho de ser brasileiro, despediu-se com uma vergonhosa derrota, certo?

Certo coisa nenhuma! Não houve vergonha na derrota, nem vexame na queda da seleção feminina. Porque as meninas do Brasil jogaram com maestria, mesmo quando perderam.

Um dia para esquecer? De jeito nenhum! Nem as derrotas nem as vitórias que marcaram a participação das meninas do futebol brasileiro nas Olimpíadas devem ser esquecidas. Como não lembrar o clamor da torcida gritando o nome de Marta, extasiada pela sua garra e a sua habilidade com a bola? Como não lembrar da bravura de cada uma, defendendo a camisa da seleção?

Não, as meninas não foram campeãs em campo. É uma pena. Mas foram campeãs em resgatar o orgulho que tomou conta das arquibancadas, vestido de verde-amarelo; em fazer ecoar o grito da torcida, há muito tempo sufocado na garganta; em contagiar os brasileiros com o clima das olimpíadas e com um novo sabor de brasilidade, que tem sido tão amargo na vida da nossa gente.

As meninas não querem ser esquecidas pelas vitórias nem pelas derrotas. Na verdade, tudo o que elas querem é ser lembradas como atletas de uma modalidade esportiva que embora não tenha espaço nos campos do futebol no Brasil, tem craques de grande qualidade técnica, que sabem jogar futebol, driblar, correr, defender, atacar, como os melhores craques do mundo e, como eles, acertar fundo o caminho do gol.

Elas querem ser lembradas como guerreiras de uma causa, como exemplos para um exército de meninas espalhadas por esse país, que poderiam ter o destino mudado pelo esporte; que poderiam brilhar nos campos brasileiros se o futebol não fosse tratado apenas como ‘coisa de macho’, mas como um campo de oportunidades para meninos e meninas, homens e mulheres.

Fica, como legado, a mensagem das meninas do Brasil, de que esse sonho é possível, e que é preciso continuar o jogo, driblando as dificuldades, perdendo ou ganhando, mas lutando sempre.

Fica o recado na voz de Formiga, que aos 38 anos de idade se despede da seleção olímpica com um apelo para todo o Brasil: “Não desistam da gente porque a gente nunca vai desistir”

Que assim seja!

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