17 de novembro de 2017 • 3:48 pm

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O turismo, a pesca e o sabor de ter um mar

O projeto do Centro Pesqueiro do Jaraguá precisa fluir e virar atividade econômica, movimentando a pesca, o comércio e o turismo

Por: Fátima Almeida
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‘Eu fui à Espanha, buscar o meu chapéu…’. Na música que permeia o imaginário infantil, alguém foi buscar chapéu nas terras europeias, mas na realidade o prefeito Rui Palmeira foi à Espanha ‘tirar o chapéu’ à grande estrutura turística montada no Distrito de Palamós, com base na atividade pesqueira, coisa que anda tão mal das pernas aqui em nossa cidade.

E não é por falta de peixe no mar (e na lagoa, diga-se de passagem). Mas por falta de políticas sólidas que criem, no entorno dessa atividade milenar, uma cadeia produtiva geradora de emprego e renda, capaz de garantir à população ribeirinha e adjacências, dignidade e qualidade de vida.  Jaraguá – com seu projetado e esperado Centro Pesqueiro – já se tornou piada de salão de festas. O sofrido e conturbado processo de desocupação do espaço, na Vila dos Pescadores, já vai longe e os projetos de beneficiamento da área arrastam-se até hoje, sem se concretizar em obras estruturantes, como foi anunciado.

Quem sabe, agora, buscando inspiração nos ares europeus…

Lá na Espanha, a comitiva capitaneada pelo prefeito – acompanhado do secretário municipal de Turismo, Jair Galvão, do superintendente de Limpeza Urbana, Davi Maia, do presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), Tadeu Assad, e do superintendente do SEBRAE/AL, Marcos Vieira – foi recepcionada pelo prefeito de Palamós, Luís Puig Martorell, que apresentou como funciona o sistema pesqueiro local, numa estreita ligação com a atividade de turismo.

Uma estrutura de fusão econômica que vem dando certo por tantos anos e que inclui equipamentos como o Museu de la Pesca, onde coexistem no mesmo espaço o porto, que recebe as embarcações com os mariscos e pescados, que por sua vez são expostos à curiosidade de nativos e turistas e ali mesmo comercializados a grosso e a varejo, abastecendo o consumo doméstico, as redes de restaurantes e o comércio de alimentos.

Essa união de vertentes econômicas atrai turista, movimenta a pesca e o comércio local e chega a triplicar a população da cidade na alta temporada, mostrando que turismo e pesca podem sim andar juntos, sem a sujeira que costumamos ver por aqui nas balanças de peixe e no mercado público de Maceió.

E pode, sim, dar certo por aqui. Afinal, temos as características costeiras necessárias para concretização de um projeto desse porte. O Centro Pesqueiro do Jaraguá – orçado, inicialmente, em R$ 23 milhões; pensado numa concepção macro, com toda uma infraestrutura de cadeia produtiva ao redor – precisa sair do marasmo em que se encontra; precisa fluir e atrair nativos e turistas ao sabor do nosso mar e da importância histórica e econômica do bairro.

É preciso ampliar o foco além do lazer de ‘shopping center’; do turismo de elite; e investir em alternativas mais abrangentes às diversas escalas sociais, ampliando espaços para que possamos dizer aos nossos filhos e netos: Vamos ao museu da pesca; vamos ali ver o mar!

 

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