7 de julho de 2016 • 10:17 am

Policia

Operação Kapnós prende quadrilhas que falsificavam cigarros

Foram 14 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão em sete estados do Nordeste

Por: Da Redação com Assessoria
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Fotos: Ascom MP/AL

Fotos: Ascom MP/AL

Foram presos cerca de 14 integrantes de duas quadrilhas que compravam cigarros falsificados e distribuíam em diversos estados do Nordeste, incluindo Alagoas, na manhã desta quinta-feira (7). A ação faz parte da operação Kapnós, do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc) do Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL).

Foram cumpridos, ao todo, 14 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital. As prisões aconteceram em diversas cidades de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Norte.

MP2Centenas de caixas de cigarros falsificados foram recolhidas. Além dos cigarros, veículos de luxo, lanchas e jet-skis também foram apreendidos, pois teriam sido comprados no nome de laranjas para lavar o dinheiro ilegal.

Para o cumprimento das medidas cautelares, 100 agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e 45 homens das Polícias Civil e Militar de Alagoas foram acionados.

Os presos foram levados para a Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), localizada no bairro da Santa Amélia, na capital. Já o material apreendido será encaminhado para a Academia de Polícia Militar de Alagoas, no Trapiche da Barra, também em Maceió.

MP3As quadrilhas eram especialistas em vender cigarros falsificados com selos de marcas paraguaias, como Eight, Gift, Bello e Meridian. As informações vinham sendo coletadas há quatro meses.

Os revendedores compravam os produtos de fábricas clandestinas, localizadas, em sua maioria, na região Sul do país, e distribuíam para diversos centros de comércio no Nordeste.

Os dois bandos possuíam uma estrutura organizada, cujos integrantes exerciam papéis distintos. Existiam os fornecedores regionais, os estaduais, os locais, e os vendedores que comercializavam para o consumidor final.

O esquema foi descoberto através de dois vendedores, que comercializavam os cigarros no Mercado da Produção e na Feira do Artesanato, no Centro de Maceió. Ambos compravam a mercadoria das duas quadrilhas, o que ajudou no mapeamento do esquema.

Quadrilhas

Uma das quadrilhas tinha seu distribuidor regional sediado em Lauro de Freitas/BA. Ele revendia para os estados de Alagoas, Pernambuco, Piauí, Ceará e Paraíba. Já a segunda, tinha seu centro de distribuição em Caruaru/PE e atuava nos estados vizinhos, Alagoas e Paraíba, e também tinha negócios no Rio Grande do Norte.

Os produtos eram vendidos com notas fiscais falsas, que indicavam mercadorias diferentes daquelas que estavam sendo transportadas. Um dos integrantes do bando de Lauro de Freitas era o responsável pela confecção desses documentos, que também podiam ser vendidos separadamente da carga de cigarros.

Em Alagoas, o principal distribuidor estadual reside em Arapiraca, de onde revendia o produto do crime para as cidades do interior do estado e para compradores da capital. O transporte do produto para os distribuidores locais era feito em veículos de pequeno porte, carregados com, no máximo, 100 caixas de cigarros, e sempre acompanhados de um veículo batedor, que ia à frente do principal. Eram maneiras de evitar as fiscalizações nas estradas e se prevenir de grandes prejuízos, caso fossem abordados.

Devido ao dinheiro fácil, os líderes das organizações viviam como empresários de sucesso, administrando empresas de fachada, a exemplo de postos de combustíveis, restaurantes e distribuidoras de bebida, tudo no nome de terceiros. Havia, inclusive, em uma das organizações, um financiador do esquema, que emprestava dinheiro para a compra da mercadoria falsificada.

O faturamento por ano de uma das quadrilhas chegava a mais de um milhão de reais, valor sobre o qual não incidiu arrecadação de impostos, nem fiscalização.

Operação Kapnós

Segundo informações do Gecoc, Kapnós é uma palavra de origem grega que significa tabaco e, que por sua vez, remete a fumaça. Na operação, ela faz referência ao produto alvo das investigações e a fumaça tóxica resultante do gás emitido pela combustão dos componentes químicos do produto. O nome também possui sentido figurado, já que fumaça, metaforicamente, é um termo utilizado quando se fala de algo está sendo encoberto.

 

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