8 de dezembro de 2016 • 8:34 am

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Os ataques do senso comum e a reforma da previdência. Onde estão os contra?

A crise política extrapolou as raias do bom senso e já alcançou as raias institucionais faz é tempo.

Por: Marcelo Firmino
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Quando a histeria coletiva domina o senso comum as pessoas param de pensar e desatam a estimular bobagens e idiotices por todos os lados, convencidos de que estão tratando de coisas sérias.

É como se uma viseira de burro estivesse impedindo a todos de olhar ao redor. Vale, portanto, o factóide, a bizarrice e até as sandices dos idiotas de plantão nas melhores casas.

É o Brasil de hoje. A crise política extrapolou as raias do bom senso e já alcançou as raias institucionais faz é tempo. No entanto, o que está valendo é o achincalhe pessoal de homens e mulheres que, obviamente, no dia a dia, não são emplos de vida cidadã em lugar nenhum do mundo.

Pelo achincalhe pessoal se vai às ruas. Hoje é chique ser a voz das ruas. Ser contra.

Não se percebe, portanto, que os temas em evidência no País são muito mais relevantes que a personalidade dúbia dessa ou daquela autoridade encastelada, em qualquer dos poderes da República ultrajada.

A Reforma da Previdência, por exemplo. A maioria nas ruas não está nem aí para o fato. Não se apercebeu que essa é uma questão que lhe atinge diretamente, desde o hoje até o amanhã. Além de obrigar o cidadão a contribuir 49 anos para ter o direito de aposentadoria, de aumentar a idade limite para 65 anos, o governo ainda reduz o valor do benefício. Vai doer no bolso.

Como por aqui o imediatismo é o que importa, então ninguém liga se a dor do bolso não se faz sentir agora.

É preciso uma reforma da previdência? O mercado diz que é. Os bancos a querem, as autoridades de governo a serviço do sistema também a defendem e o fazem com a recomendação de que o cidadão, para ter uma vida de aposentado melhor, precisa fazer uma aposentadoria complementar em algum banco do País. E assim a porca vai torcendo o rabo.

Lembro de uma aposentadoria complementar que meu pai tinha enquando funcionário da Sucam (hoje Fundação Nacional de Saúde). Ele morreu e os repasses feitos em folha para o dito pecúlio sumiram no vento, feito voz de cantador.

Se há necessidade de uma reforma de previdência que ela venha, mas com ampla discussão da sociedade organizada. O que não pode é um assunto polêmico como esse chegar agora no parlamento e, no dia seguinte, já ter um parecer favorável de um relator qualquer se dizendo “eu sou o The Flash”.

Isso é tripudiar sobre os direitos da cidadania.

 

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