26 de fevereiro de 2016 • 4:24 pm

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Os deputados comilões no estado onde reinam a fome e miséria

Dos oito deputados federais que mais gastaram com alimentação na Câmara Federal, em 2015, dois são alagoanos

Por: Fátima Almeida
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Só faltava essa na coleção de título para Alagoas. O estado que detém os piores indicadores sociais – traduzidos nas situações de violência, vulnerabilidade social de jovens e adolescentes, baixa escolaridade, fome e miséria – destaca-se, agora, por um quesito curioso pelo contraste com a dura realidade social que se tem por aqui.

Dos oito deputados federais que mais gastaram com alimentação na Câmara Federal, em 2015, dois são alagoanos: Paulão, do PT, e Ronaldo Lessa, do PDT, segundo levantamento divulgado esta semana, pelo Congresso em Foco.

A base dos dados para apontar os comilões são os pedidos de ressarcimento feitos pelos parlamentares, para cobrir despesas com alimentação. Em 2015, Paulão foi reembolsado em R$ 22.406,31; já Ronaldo Lessa apresentou gastos de R$ 20.809,32. Aparentemente, uma comilança considerável. Mas, trocando em miúdos, seria compreensível, levando em conta que os deputados trabalham em Brasília, em atividades parlamentares, cerca de 9 meses.

Isto daria uma média de R$ 80 por dia, o que, divididos em três refeições diárias: café da manhã, almoço e jantar, dá uma média de R$ 26 por refeição.

“Compreensível uma ova”, dirá algum leitor mais açodado, comparando o gasto parlamentar com o simples trabalhador assalariado, que precisa sustentar a família durante o mês inteiro com um salário de R$ 880,00. E não vai faltar, por aqui, quem fale da ‘quentinha’ a R$ 10 reais, em alguma biboca da cidade.

Mas, não sejamos otimistas em demasia: ninguém espera encontrar um deputado comendo no bandejão do Restaurante Popular ou apreciado uma quentinha comprada no Boteco da Maria.  A não ser nos dias mais popularescos das campanhas eleitorais, quando os políticos se empenham em o mais ‘povo’ possível.

O problema dessa história não está, bem, no valor da refeição. No quanto gastam os dois deputados com alimentação, mesmo considerando que estão entre os mais gastadores no gênero. O problema consiste, mesmo, em quem paga a conta. Não é justo que um deputado, que tem incrementado na conta bancária, todo mês, cerca de R$ 100 mil pagos pelo erário  – entre salário mensal, auxílio moradia, passagens aéreas, assistência à saúde, telefone e outras despesas pessoais (não entra nessa conta a verba de gabinete, destinada ao pagamento de cargos de confiança), e ainda ter direito ao ressarcimento de gastos com alimentação.

Não se trata de uma irregularidade, já que as leis tortas do nosso país permitem esse ressarcimento. Mas, com o salário que ganha, um deputado, seja ele quem for, poderia ter a nobreza de dizer: não deixar que o povo pague também a minha comida. Principalmente represetando um estado pobre como a nossa Alagoas.

Né isso?

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