26 de outubro de 2017 • 12:32 pm

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Os fantasmas não se divertem! O mesmo roteiro com novos personagens

Mais uma vez a Assembleia Legislativa é envolvida em escândalo de desvio de recursos. E os responsáveis nem se ocuparam em mudar o enredo

Por: Fátima Almeida
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Os fantasmas rondam novamente a Assembleia Legislativa alagoana – se é que algum dia eles deixaram de perambular entre as grossas paredes dos gabinetes de deputados (e não dos deputados – para não generalizar), que ocupam a chamada Casa de Tavares Bastos.

Na maioria das vezes essas almas penadas vagam sem a menor ciência da própria existência e menos ainda do envolvimento involuntário em tenebrosas transações promovidas por parlamentares vampiros, políticos inescrupulosos que, não satisfeitos com o volume de recursos que recebem do erário – em forma de subsídio, gratificações, ajuda de custo, verba não sei de que – querem mais e mais. E enxertam a folha de pagamento para engordar criminosamente a conta bancária, desviando recursos.

Agem na surdina, mês após mês; ano após ano, até que – Oooooh! – entre uma parede e outra, são flagrados por policiais federais em operações típicas de caça-fantasmas.

A deputada Thaíse Guedes, indiciada 25 vezes pelo crime de peculato, é a primeira da lista cujo depoimento na Polícia Federal, nesta quarta-feira (25), deveria passar despercebido, mas tornou-se de conhecimento público quase por acaso. No meio do caminho tinha uma ‘pedra’ chamada imprensa – que ela tratou quase a pedradas.

Pelo que foi apurado até agora, a PF teria encontrado ligações (sobrenaturais?) entre a deputada ‘valente’ e alguns fantasminhas, que já renderam prejuízos de aproximadamente R$ 15 milhões ao erário, em pagamentos de salários e gratificações irregulares, por meio do esquema, que envolve, segundo a PF, outros deputados igualmente espertos e inescrupulosos, e muita gente que vive na miséria e nem sabe o volume de dinheiro que seu nome movimenta.

As principais vítimas desse esquema – além do erário – são pessoas humildes, que na boa fé entregam documentos para políticos, na esperança de um encaminhamento para uma vaga de trabalho ou algum benefício e acabam caindo no esquema. Uma ‘servidora’ que, segundo apurou a Polícia Federal, teria recebido R$ 140 mil pelo gabinete da deputada, declarou em seu depoimento que nem sabia da existência e da movimentação dessa dinheirama em seu nome. Disse à PF que havia entregue os documentos pessoais à deputada na esperança de que ela encaminhasse seu currículo a pessoas de seu conhecimento, para conseguir um emprego. Nunca conseguiu, a não ser o de ‘servidora fantasma’ da Assembleia Legislativa.

Por enquanto, além de jogar seus seguranças contra a imprensa, a deputada nada esclareceu sobre o episódio. Sua assessoria informou que ela irá se pronunciar, por meio de nota, o que ainda não fez. Deve estar tentando traduzir mensagens psicografadas para explicar o inexplicável.

Ah, esses fantasmas e seus manipuladores que não deixam descansar em paz a alma do digníssimo Tavares Bastos, patrono do casarão da Praça Pedro II, que abriga os nossos ‘vivos’ deputados.

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