21 de dezembro de 2017 • 1:16 am

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Os indultos de natal de Gilmar Mendes:  A ‘generosidade’ que macula a Justiça

Em apenas três dias, decisões do ministro do STF já beneficiaram pelo menos 8 investigados em operações de combate à corrupção

Por: Fátima Almeida
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Ministro do STF, Gilmar Mendes – REUTERS/Ueslei Marcelino

A generosidade (digamos assim) do ministro Gilmar Mendes a favor de influentes presos da Lava Jato e outras operações tem incomodado bastante. Não apenas no STF, onde tem gerado acirrados bate-bocas com outros ministros, mas também nos arredores da Corte Suprema e num raio de alcance de toda a nação brasileira – onde quer que esteja um cidadão torcendo que a Justiça cumpra seu papel no combate aos atos de corrupção da turma da propina.

Especialmente esta semana, o polêmico magistrado, que responde também pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na condição de presidente, está inspiradíssimo – talvez envolvido com o espírito natalino. A decisão de mandar soltar o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, no final da tarde desta quarta-feira (20), foi apenas mais uma da série de decisões benevolentes tomadas esta semana, favorecendo presos e investigados em operações de combate ao chamado crime de colarinho branco.

Garotinho foi preso mês passado, acusado de corrupção, organização criminosa e prestação falsa das contas eleitorais. Ele nega tudo, claro!

Também foi beneficiado com o ‘indulto natalino’ de Gilmar Mendes, o ex-ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, presidente do PR (mesmo partido de Garotinho), e preso na mesma operação, suspeito de negociar com o frigorífico JBS a doação de dinheiro oriundo de propina para a campanha do ex-governador em 2014.

Só esta semana, oito pessoas investigadas foram contempladas com o saco de bondade do ministro do Supremo e do TSE.

BOM VELHINHO

A benevolência de Gilmar tem gerado protestos – coletivos e personalizados. Ontem, os procuradores Carlos Fernando dos Santos e Deltan Dallagnol manifestaram em diversos canais, inclusive pelas redes sociais, indignação e sinais de que a paciência está se esgotando, e com justa causa.

“Hoje, os ministros do Supremo, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, soltaram Adriana Ancelmo, salvaram Beto Richa de investigação e livraram de se tornarem réus o senador Benedito de Lira e os deputados Arthur Lira, Eduardo da Fonte e José Guimarães. Ficou vencido o relator dos casos – quem melhor os conhecia – o ministro Fachin”, manifestou ontem Dallagnol, depois que a caneta do Dr. Gilmar abriu as portas da liberdade para a turma de investigados da Lava Jato e outras operações.

“Gilmar Mendes encarnou o próprio Papai Noel. Pena que mais uma vez o presenteado não seja a população brasileira”, escreveu Carlos Fernando em sua conta no Facebook, criticando também o privilégio concedido pelo ministro, ao determinar a suspensão das investigações sobre alguns suspeitos. Como disse Dallagnol: “É o velho sistema de justiça criminal disfuncional mostrando as garras da impunidade”.

Pode vir mais coisa por aí. Ainda faltam quatro dias para o Natal, e tudo se pode esperar desse ‘generoso’ Papai Noel da Justiça, cuja ex-mulher, Samantha Ribeiro Meyer, foi nomeada ontem, pelo Presidente Temer, para um mandato de dois anos e meio como conselheira de Itaipu.

Nada a ver com as boas relações de poder mantidas por Gilmar, claro!

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