11 de novembro de 2017 • 11:50 am

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Os números e a realidade da gravidez na adolescência

É preciso agregar às ações de prevenção, o discurso das consequências da maternidade precoce

Por: Fátima Almeida
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O vento que soprava e levantava a areia da praia na manhã daquele sábado. O sol escaldante teimava em esquentar a alma (ainda gelada pela notícia que acabara de constatar) daquela menina que, ali sentada, mantinha uma paz enganosa. Acabara de entrar nas estatísticas das meninas que engravidam precocemente, pelo descuido na prevenção, que poderia ter sido feita com uma simples camisinha, tão acessível, mas que sempre falta na hora do deslumbre do sexo.

Aos 16 anos, vinda de família de baixa renda, a menina não planejou – nem preveniu. Apenas ‘ficava’ casualmente com o pai do bebê, que sem o encargo de trazer no ventre o fruto da inconseqüência, saiu de fininho da história, sem se preocupar em dividir o peso da barra que aquela menina passou a carregar no corpo e na mente.

Naquela manhã, ela perambulava pela areia da praia, pensativa, angustiada: Como vai contar para a mãe que a história se repete em seu corpo: Mãe grávida adolescente; filha grávida adolescente… Como vai encarar, sozinha, o olhar atravessado da vizinha, as piadas na sala de aula, o sermão da avó, os enjôos, as mudanças no corpo, na alma e na vida?

Não sabe se terá pré-natal – o que é isso mesmo? O que virá depois do parto? Os estudos, o sonho de uma possível graduação; de ser médica no futuro. Como será esse tal de futuro de agora em diante?

OS NÚMEROS

Vivemos em um país que mesmo aos trancos e barrancos tem lutas históricas para reduzir as desigualdades sociais, com resultados razoáveis nas últimas décadas. Mas a alta taxa de gravidez na adolescência é um indicador que continua alarmante e preocupante. Relatório do ‘Fundo de População’ da Organização das Nações Unidas (ONU) diz que no Brasil, a cada cinco mulheres grávidas, uma é adolescente. Houve queda nos números – de 700.000 para 500.000 partos por ano – mas o Brasil continua em destaque nessa marca, em igualdade com Bolívia e Paraguai.

E pela primeira vez a ONU apontou em seu relatório a importância de dar destaque às consequências da gravidez na adolescência.

Essas meninas vivem – em sua maioria – em famílias situadas na faixa de pobreza e com poucas chances de sair e oferecer uma vida melhor para essa geração que chega. Geralmente parte dessas mães adolescentes está o acaba ficando fora da escola, antes ou no decorrer da gravidez, sem mercado de trabalho e com bebês nascendo privados de assistência social.

Nesse dilema, o País que não consegue remediar, tem obrigação de investir cada vez mais e persistentemente em prevenção, e conscientizar sobre os riscos e as consequências de uma gravidez na adolescência.

Portanto, mãos à obra. Não há tempo a perder!

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