27 de outubro de 2016 • 1:42 pm

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Os poderes em guerra, as autoridades perdidas e o senso comum esperando o ‘salvador’

Decisão do ministro Teori sobre o episódio do Senado os atropelos do estado democratico de direito

Por: Marcelo Firmino
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A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, de suspender a Operação Métis, realizada na semana passada pela Polícia Federal dentro do Senado da República mostra tão somente que o estado democrático de direito no País está sendo enterrado a cada canetada de quem tinha o dever de zelar pela boa aplicabilidade das leis e da Constituição Federal.

Há, nitidamente, um anseio extremado de segmentos da sociedade de tornarem o País, cada vez mais, um estado policialesco. É como se quase ninguém quisesse medir consequências de absolutamente nada. Daí a razão um juiz de primeira instância atropelar o processo e usurpar a competência do Supremo.

Agora, Teori tenta remediar o feito que abalou a relações dos Poderes da República.

O processo que levou a prisão de quatro policiais legislativos sai da 10ª Vara Federal (DF) para o STF. O que vai acontecer só os nobres magistrados vão dizer, apesar dos autos e dos considerandos que haverão de fazer cada julgador.

Tudo isso é resquício de um País dividido, maltratado e tripudiado pelas próprias autoridades do STF, do Executivo e do Legislativo. A apatia da trinca do poder gerou uma onda de justiçamento, onde em cada vara ou delegacia surge um justiceiro, muitas vezes interessado nos holofotes da mídia ou por algum outro interesse inconfessável.

Com os constantes ataques ao estado de direito, o Brasil vai vivendo um caminho perigoso, sem que haja na atualidade uma única liderança sequer para colocar o dedo na ferida.

Até parece que há em curso um estratagema para facilitar o surgimento dos chamados “salvadores da pátria”. E quando eles surgem o resultado não é bom. Não é mesmo. E a história diz isso.

Aliás, o jornalista e escritor Mário Sérgio Conti em recente ensaio na Folha de S. Paulo alertou o que está por vir diante da histrionice do senso comum e da omissão das autoridades brasileiras, quando disse:

“Depois do tacão militar, da Nova República, do pesadelo collorido, do apagão tucano, da deterioração petista e do golpe democrático – após o fracasso total virá o Salvador da Pátria

 

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