5 de julho de 2016 • 2:11 pm

Cotidiano » Maceió

Ossada abandonada pelo IML de Alagoas expõe descaso com os mortos

Achado foi revelado em reportagem da Folha de São Paulo. Governador disse que tem novos recursos empenhados para conclusão da obra do novo IML

Por: Fátima Almeida
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Foto: Juca Varella - Folhapress (reprodução)

Foto: Juca Varella – Folhapress (reprodução)

Um achado macabro, em instalações antigas usadas pelo Instituto Médico Legal (IML) de Maceió, no bairro do Prado, expôs para o Brasil, mais uma vez, a precariedade da instituição e descaso no trato com os mortos e seus parentes vivos. Um amontoado de ossos humanos foi abandonado no local há cerca de 3 anos, desde que o IML desativou as instalações, usadas, anteriormente, para a análise de corpos em estado de decomposição.

O local fica nos fundos do antigo prédio do Centro de Ciências Biológicas (CCBI), onde por muito tempo funcionou a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, e desde 2013 deixou de ser usado pelo Instituto Médico Legal. O prédio é tombado pelo patrimônio histórico estadual.

O material – crânios, ossos de membros inferiores e superiores, ossadas humanas inteiras – alguns ainda em sacos de recolhimento de cadáveres, foi descoberto pelos repórteres Estevão Bertoni e Juca Varella, da Folha de São Paulo, que dias atrás estiveram no local onde foram realizadas, há 20 anos, as necropsias dos corpos de Paulo César Farias e Suzana Marcolino, personagens de um dos casos de maior repercussão na história criminal de Alagoas.

De acordo com a reportagem publicada pela Folha na manhã desta terça-feira (5), o material está jogado em um galpão, num terreno baldio habitado por gatos.

Hoje pela manhã, ao ser indagado sobre o assunto, durante entrevista coletiva à imprensa, o governador Renan Filho disse que ainda não tinha conhecimento do caso, mas lembrou que os problemas do IML são antigos, e que em 200 anos de existência de Maceió, o Instituto nunca teve uma sede própria – que está sendo construída agora. Disse que ontem foram empenhados R$ 9 milhões para o andamento da obra.

Também em entrevista, o diretor do IML, médico legista Fernando Marcelo de Paula, explicou que as ossadas estão passando por um trabalho de identificação e catalogação, realizado por técnicos do órgão, antes de serem transferidos para a sede atual do IML, já que há uma solicitação da Universidade Federal de Alagoas, pela devolução do espaço, ocupado durante décadas pela instituição de medicina legal.

Ele acredita que esse trabalho deve ser concluído até o final do mês. Segundo a reportagem da Folha, ele teria afirmado que há mais ossadas no local.

Em nota, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a quem pertence o espaço onde a ossada foi abandonada, disse que a responsabilidade sobre o material deixado no prédio é do IML, a quem cabe adotar as providências cabíveis. De acordo com a instituição universitária, ainda em 2014, a diretora do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde, professora Iracilda Maria de Moura, vistoriou as instalações e identificou a exposição de restos humanos, notificou o IML para adotar as providências, mas nada foi feito até agora.

A Ufal disse ainda que aguarda a devolução do espaço usado pelo Instituto Médico Legal, e que essa solicitação já teria sido encaminhada ao diretor do IML, Fernando Marcelo de Paulo, por meio de ofício datado de 22 de junho deste ano.

Confira na íntegra a reportagem da Folha: http://(http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/07/1788574-ossadas-humanas-estao-abandonadas-em-galpao-sujo-do-iml-de-maceio-al.shtml.

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