4 de junho de 2016 • 1:25 am

Brasil

Outra vez! Temer nomeia secretária investigada por desvio de recurso

Nova Secretária da Mulher é apontada pelo Ministério Público como integrante de uma ‘articulação criminosa’.

Por: Da Redação
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Temer e Fátima Palaes. Foto Marcelo Camargo - Agência-Brasil

Temer e Fátima Pelaes. Foto Marcelo Camargo – Agência-Brasil

Pelo jeito, a caneta do presidente Michel Temer errou novamente ao nomear, para a Secretaria de Políticas para as Mulheres, órgão vinculado ao Ministério da Justiça, a ex-deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP). Ela é apontada pelo Ministério Público Federal (MPF) como integrante de uma articulação criminosa acusada de desvio de dinheiro público.

A denúncia contra a nova secretária foi feita em novembro de 2012 pelo então procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que requereu a abertura de inquérito para investigar indícios de suposta prática de crimes por ela cometidos, quando era, ainda, deputada federal.

De acordo com  a denúncia, Fátima Pelaes teria apresentado projeto de emenda parlamentar, aprovado na Câmara, no valor de R$ 4 milhões, destinados a capacitação para o turismo no Amapá. No entanto, o recurso teria caído na conta de uma instituição fantasma e, de acordo com o relatório da PGR, depoimentos apontam que Pelaes teria ficado com parte do dinheiro. A investigação está em andamento e foi devolvida à Justiça Federal do Amapá no ano passado, depois que ela deixou de ser deputada.

Ele é a terceira pessoa nomeada para a equipe de Temer, acusada de desvio de conduta. Romero Jucá e Fabiano Silveira gravados pela Lava Jato tentando barrar as investigações, tiveram vida curta como ministros. Por meio da assessoria, Fátima informou que confia no trabalho da polícia e da justiça e que tudo será esclarecido.

REAÇÕES

A nomeação de Fátima Pelaes foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira e gerou reações. Em nota, o Instituto Ethos posicionou-se contra a escolha e manifestou “grande preocupação com as repetidas nomeações de ministros e secretários pelo governo de Michel Temer, acusados de envolvimento em casos de corrupção ou de interferência em investigações em andamento”.

Disse também que “a questão das mulheres merece um olhar cuidadoso por parte de toda a sociedade”, lembrando que, no Brasil, elas representam somente 10% do Congresso Nacional e apenas 13,7% ocupam cargos executivos nas 500 maiores empresas do país, embora tenham maior nível de escolaridade do que os homens. Além disso, recebem salário 30% menor do que homens que estejam na mesma posição. Esses fatos denotam a importância de ações contundentes de estímulo à valorização e à mudança da sub-representação das mulheres nesses importantes segmentos sociais.

“O avanço das mulheres nesses espaços é fator-chave para a necessária inflexão de nosso modelo de desenvolvimento, no sentido de proporcionar uma maior inclusão, redução da desigualdade, respeito ao meio ambiente e cultura de paz e confiança. As lideranças nos espaços de governo e empresas inspiram e sinalizam mudanças para toda a sociedade e, assim, não podemos correr o risco de retrocessos nesse importante tema para o país”, diz a nota.

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