23 de dezembro de 2016 • 11:51 am

Brasil

Padilha com Temer nas mãos: daqui não saio, daqui ninguém me tira

No Brasil, do Planalto ao entorno, a corrupção é histórica e endêmica

Por: Marcelo Firmino
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Não faz muito tempo que vários movimentos nacionalistas surgiram no País condenando a corrupção no governo brasileiro e exigindo mudanças radicais. A mudança houve mas a corrupção no governo está longe e muito longe de desaparecer. É endêmica e histórica. E os movimentos? Calados. Só agem no calor da emoção e diante de casos bem pontuais. Se a preocupação fosse de fato a corrupção a situação seria outra. Hoje, no entanto várias lideranças desses movimentos estão dentro do governo atual que está bem distante dos anseios populares, sobretudo de quem mais precisa da política pública.

A consequência é que nunca na história um presidente da República teve um índice  de rejeição recorde, segundo o Ibope, como Michel Temer. A última pesquisa realizada diz que ele tem 46% de reprovação e apenas 13% de aprovação. Isso graças ao fato de ter sido colocado abruptamente no poder, contra a corrupção, e a sociedade descobre que o governo atual é tão corrupto quanto, por que as figuras de sustentação e o entorno em geral são os de sempre.

Temer e Padilha: o símbolo do poder.

Temer mudou seis ministros acusados de corrupção pela Lava Jato e ele próprio já foi denunciado como corrupto por ter recebido R$ 10 milhões em dinheiro vivo da Odebrecht. Esta semana a ex-senadora da Rede, Marina Silva, sugeriu que ele renunciasse ao cargo “para ser rei de si mesmo”. Temer convocou a imprensa ao Planalto, nesta quinta-feira, 22, e disse que não renunciaria.

Ao ser questionado sobre a possibilidade do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar a chapa Dilma-Temer e, também, considerando a citação de seu nome em delações de executivos da Odebrecht, incluindo nos depoimentos dados pelo ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht ao Ministério Público Federal no âmbito das investigações da Lava Jato, ele disse que nem assim larga o cargo que conseguiu por vias transversas.

Mas, disse o que fará se o TSE decidir pela cassação da chapa:

“Havendo uma decisão [do TSE de cassar a chapa], haverá recursos e mais recursos, não só no TSE como no STF. (…) Renunciar? Honestamente, não tenho pensado nisso”, garantiu o peemedebista. Ele destacou, contudo, que será “obediente” à decisão final do Judiciário e ponderou sobre o peso das delações: “No Brasil se formou a seguinte convicção: se um delator mencionou o nome de alguém, ele está definitivamente condenado”, comentou. Um cometário próprio de quem se defende do malfeito.

Ao redor dele, vibrante e não menos corrupto, o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, que teve o nome citado em várias delações de executivos da Odebrecht. Questionado sobre a razão de o ministro continuar, Temer  afirmou que não vai demiti-lo. “Não tirarei o Padilha. Ele continua firme e forte”.

Ou seja, Padilha não vai para casa. É como se o ministro tivesse o presidente da República nas mãos e andasse a cantarolar marchinha de fim de ano pelos corredores do Palácio do Planalto:

-Daqui não saio, daqui ninguém me tira.

 

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