5 de junho de 2016 • 11:45 am

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Para ganhar uns trocados Considerado vai ao buraco do Tatu e grita pela polícia

Uma homenagem do Pequeno Polegar ao Dia Mundial do Meio Ambiente…

Por: Pequeno Polegar
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Liso feito sabonete, sem um centavo no bolso, Considerado foi convidado por um amigo para participar da produção de um filme publicitário de uma gestão municipal. Por ser um cara desenrolado, enxergaram nele um sujeito com essa capacidade de produzir a arte.

E lá se foi nosso amigo com uma visão diferente de suas tarefas. Por ser um cidadão desenvolto logo queria assumir o papel de protagonista do filme. Já se imaginava como ator em papel de destaque, tipo aqueles guardas pretorianos, de chicote nas mãos, açoitando os hebreus, tal como no filme “Os 10 Mandamentos”.

Logo caiu na real, pois as tarefas que lhe deram foram todas por trás das câmeras e, principalmente, quando elas estavam em off. Assim, trabalhou como faz tudo. Carregou vara com microfone, plantou palmeira, arrastou pedra, até imitou berro de ovelha e uivo de lobo.

No fim da história estava um caco. Mas saiu do set de filmagens animado, pois sabia que tinha cumprido sua missão e agora era só receber o dinheiro acordado.  Mandaram-lhe ir a uma empresa onde três sócios atuam a todo vapor na parte financeira.  Chegando à sede se dirigiu até a moça da recepção e perguntou:

– Onde tem pagamento?

-Que pagamento?

-Da filmagem que fiz.

-E que filmagem foi essa?

-Uma filmagem da Prefeitura.

-E como é seu nome?

-Considerado.

-Considerado? Que nome estranho…

-Moça quero saber do meu dinheiro, logo.

A recepcionista o olhou de cima a baixo e percebeu que ele já estava botando cara de poucos amigos. Tratou então de consultar os “universitários” por meio do telefone. Ligou para vários ramais e em seguida informou:

-Seu dinheiro é com Dr. Brahão.

-E onde encontro esse tal Brahão?

– Sente naquele banco no fim do corredor que ele passa já.

Ele ficou feliz por que durante as filmagens um diretor de cena, graças a imensa barba branca que tinha, foi logo batizado de Abraão. E o Considerado fez amizade com o sujeito. Pensou até que seria o mesmo. “Tou de boa”. Imaginou.

Só que o tempo foi passando, ele esperando e nada do trem pagador passar. Estranhou por que pelo corredor passava sempre um gordinho bem mais velho que ele, telefone no ouvido e um cigarro na boca. O cara fumava feito “preto véio” em despacho de macumba.

Chateado com mais de 1 hora e meia de espera decidiu perguntar:

-Ei moço, viu o seu Brahão por aqui? O caipora olhou desconfiado, mas respondeu: – O que você quer?

-Eu quero o meu dinheiro do filme.

-Isso não é comigo não, procure o Janjão.

-Eh, começou a fuleiragem… Que Janjão?

-O Teiú. Tá lá no fim do prédio.

Meio puto, Considerado saiu à caça do tal Teiú. Achou engraçado por que no local de longo corredor havia umas salas que mais pareciam buracos para esconder coisas. E ficou a pensar. Onde tem buraco tem até Tatu, quanto mais Teiú…

Foi quando encontrou um funcionário e perguntou:

-Onde encontro o Teiú?

-Tá com o Tatu na última sala.

-Oxe, Teiú com Tatu? Bem que eu desconfiava que isso era uma fauna.

Na porta da sala um segurança da largura de um guarda roupa barrou a entrada dele. – Onde você pensa que vai? –Vou entrar nesse buraco pra caçar Tatu e Teiú que Brahão mandou.

-Volte outra hora que eles estão muito ocupados com as lideranças dos bairros…

– Mas e o meu dinheiro?

-Não é comigo. E aqui só entra quem foi chamado.

-Daqui não saio. Quero meu dinheiro…

-Isso não é comigo.

De repente, da sala saiu uma conhecida liderança de bairro da cidade e ele chama o cara:

Ei Dedeu, o que você estava fazendo aí no buraco do Tatu e do Teiú?

-Eu venho aqui todo fim de mês resolver umas coisas…

-Sei e tem muita gente lá?

-Fim de mês é sempre cheio.

-Entendi. Eu vou chamar é a polícia pra investigar esse buraco.

-Tenha calma, eles vão lhe atender…

-Vou gritar agora…

-Faça isso não!

-Polícia! Polícia! Tem coisa aqui no buraco do Tatu.
tatu

 

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