20 de junho de 2015 • 7:28 am

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Pergunta que não quer calar: o que farão pescadores no Tabuleiro?

Porque não dão certo os processos de remoção de favelas construídas próximo do mar e da lagoa.

Por: Fátima Almeida
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E agora: o que fazer?

E agora: o que fazer?

Não vou, aqui, falar dos erros e acertos que cercaram a operação de desocupação da favela Vila dos Pescadores, no bairro de Jaraguá, esta semana. E eles existiram. Mas não caberia essa análise ampla sem que corresse o risco de perder o fio da meada de uma outra abordagem, sobre a qual o poder público terá que se debruçar com prioridade, humanismo e responsabilidade social nos próximos dias e meses, como missão seguinte à ação de despejo, já que não pensou nisso antes.

Para onde irão as famílias removidas de lá?

Não falo do abrigo em creche, escola, galpão ou seja qual for o espaço onde eles foram colocados provisoriamente. Falo da situação definitiva, que envolve a moradia como referência de estabilidade, privacidade, rotina familiar, acesso ao trabalho e à escola.

Onde será a nova moradia dessas famílias?

E antes que alguém diga que alí tinha traficantes, bandidos, ladrões que se escondiam na Vila e de lá saíam para praticar assaltos, vender drogas, matar ou morrer eu me antecipo. Não é deles que estou falando, até porque, para estes, a moradia deve ser cadeia. Eu falo de cidadãos que alí nasceram, cresceram e constituíram família; de pais e mães que apesar da miséria e da pobreza, alí criavam seus filhos com zelo e amor; homens que madrugam, arrumam seus barcos e saem para o mar; mulheres que acordam com o raiar do sol, dão alguns passos até a praia e dalí tiram o alimento e a renda, limpando o pescado, costurando redes para a pescaria; homens e mulheres que trabalham duro, do nascer ao por do sol, e alí organizaram sua vida, ao redor da Vila, ao alcance das próprias pernas, sem depender do custo do transporte para trabalhar.

A resposta que o prefeito Rui Palmeira deu, esta semana, preocupa, porque repete um erro que muitos gestores já cometaram, e o retrato atual da orla lagunar, assim como a própria favelização no bairro de Jaraguá são respostas à nossa pergunta: O que vão fazer famílias que vivem da atividade pesqueira, na região do Tabuleiro?

Nada!

Lugar de pescador e marisqueira é perto do mar e da lagoa, onde trabalham e de onde tiram o sustento. Não adianta mandá-los pra longe, sem proporcionar-lhes alternativas de emprego e renda. Ppoucos gestores entenderam isso – e abro um parêntese para o ex-prefeito Cícero Almeida e o ex-governador Teotonio Vilela, que investiram em projetos habitacionais próximos a esse habitat.

Longe,  esses homens e mulheres acostumados ao cheiro da maresia vão ficar sem trabalho. Ou vão voltar, contruir seu barraco na beira da lagoa ou num cantinho da praia e abrir novos focos de favelização.

É assim que tem sido…

 

 

2 Comentários

  1. Anita disse:

    É interessante como dizem que no Brasil nada se cria tudo se copia… observo que as coisas só são copiadas qnd é a coisa mais fácil e mais conveniente a ser feita. Pq não se copiar o modelo das grandes cidades do mundo, como Londres por exemplo, onde os bairros são desenvolvidos pra que os habitantes não precisem se deslocar até outros bairros pra fazer as atividades do cotidiano? Pq expulsar os moradores pobres para a região periférica da cidade, uma região que já não atende as necessidades básicas, como educação e saúde, moradores locais? Será que o prefeito esbarra na máxima que diz que o que os olhos não vê o coração não sente? Será que ele ao menos tem coração?

  2. Armando disse:

    Parabéns pela postagem. Uma coisa é certa, construir uma vila de Pescadores no local, junto com os equipamentos do novo projeto seria mais interessante.

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