23 de outubro de 2017 • 6:30 am

Corrupção

PF indicia ex-presidente do BNDES e diz que Pimentel favoreceu Casino

Na ocasião, o hoje governador de Minas Gerais (PT) chefiava o Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, pasta à qual o banco é subordinado

Por: Da Redação
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A Polícia Federal concluiu que o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e o ex-presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) Luciano Coutinho favoreceram o grupo francês Casino ao barrar a liberação de recursos para a fusão do Grupo Pão de Açúcar com o Carrefour. Na ocasião, o petista chefiava o Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, pasta à qual o banco é subordinado.

O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT)

O relatório do inquérito sobre o caso, concluído em 21 de setembro, indicia Coutinho, a primeira-dama de Minas, Carolina Pimentel, e outros investigados por envolvimento no suposto esquema. A PF imputa aos dois o crime de corrupção passiva. Por ter foro perante o Superior Tribunal de Justiça (STF), Pimentel não foi indiciado.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) decidirá agora, com base nas conclusões, se denuncia ou não os implicados à Justiça. As conclusões da PF foram noticiadas neste domingo (22) pelo jornal “O Globo” e confirmadas pela Folha.

De acordo com a PF, o então ministro e Coutinho agiram para barrar a concessão de um empréstimo solicitado pelo empresário Abílio Diniz, em 2011. Na época, ele disputava com o Grupo Casino o controle do Pão de Açúcar e apresentou ao BNDES um projeto para capitalizar o grupo, o que viabilizaria a fusão com o Carrefour.

O inquérito da PF sustenta que o Casino fez pagamentos a uma empresa de consultoria, que repassou 40% dos recursos a Carolina. Em troca, o então ministro e Coutinho teriam atuado para que fosse aprovada pelo banco uma cláusula restritiva no projeto. A norma impedia a concessão de apoio financeiro se os sócios do Pão de Açúcar estivessem em litígio, como era o caso. Na prática, a regra inviabilizou o empréstimo.

A PF sustenta que o Casino depositou R$ 8 milhões na conta da MR Consultoria, do jornalista Mário Rosa, que havia sido formalmente contratado para prestar consultoria em comunicação e fazer assessoria de imprensa para o grupo francês. Desse total, R$ 3 milhões foram transferidos para uma empresa de Carolina.

Além da primeira-dama e de Coutinho, foram indiciados dois executivos do Casino à época dos fatos por corrupção ativa.

O inquérito é um dos seis da Operação Acrônimo que tramitam no STJ (Superior Tribunal de Justiça), sob relatoria do ministro Herman Benjamin.

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