22 de setembro de 2016 • 2:07 am

Justiça

Policiais acusados de chacina em União são absolvidos

No julgamento conduzido pelo juiz Geraldo Cavalcante Amorim, jurados entenderam que não havia provas suficientes para condenar acusados

Por: Da Redação com Assessoria
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Depois de 14 anos da chacina que vitimou quatro adolescentes, em setembro de 2002, em União dos Palmares, a Justiça absolveu os policiais militares José Valdir Gomes Ferreira, José Paulo Barros de Araújo, Nilton Nascimento Correia e Marcos Mota dos Santos, da acusação de envolvimento no crime, feita pelo Ministério Público  Estadual.

O julgamento iniciado por volta das 9 horas desta quarta-feira, no salão do 3º Tribunal do Júri, foi conduzido pelo juiz Geraldo Cavalcante Amorim, titular da 9ª Vara Criminal de Maceió, no Fórum da Capital. Foram mais de 10 horas de debate numa sessão iniciada por volta das 9 horas da manhã e encerrado por às 21h.  Os jurados entenderam não haver provas suficientes para condenar os réus.

Essa foi a tese sustentada pela defesa: De que ninguém, até hoje, teria conseguido provar que os policiais estavam no local do crime e teriam executado os quatro adolescentes. De acordo com os advogados de defesa dos policiais, eles estavam de serviço na noite da chacina, porém, no horário em que tudo aconteceu – por volta das 4h30 da manhã do dia 12 de setembro de 2002 – estavam  recolhidos à base militar de União dos Palmares e recebam informação sobre a ocorrência por telefone, dirigindo-se ao local.

Juri foi conduzido pelo juiz Geraldo Amorim (Foto Itawi Albuquerque)

Juri foi conduzido pelo juiz Geraldo Amorim (Foto Itawi Albuquerque)

A chacina aconteceu num bairro da periferia de União e as vítimas foram os adolescentes Tiago Holanda da Silva, Cizenando Francisco da Silva, Sydronio José da Silva e Maurício da Silva, à época com idade entre 17 e 19 anos. O Ministério Público sustentou a tese de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e alegou que os elementos probatórios não deixavam dúvidas quanto à culpabilidade dos acusados. De acordo com a denúncia do MP/AL, os policiais militares integravam um grupo de extermínio conhecido como “Ninjas”.

As mortes dos adolescentes teriam ocorrido por conta de uma briga envolvendo um dos jovens e o filho do cabo José Valdir, durante um showmício da campanha para as eleições municipais de União. Em depoimento, os réus negaram qualquer envolvimento na chacina.

Outros dois réus, Eraldo Tadeu Vieira dos Santos e Antônio Batista de Lima Neto, foram julgados em junho de 2013 e condenados a 84 e 100 anos de prisão, respectivamente.

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