29 de junho de 2015 • 11:01 pm

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Policiais truculentos e o discurso de Alfredo Gaspar

O agente penitenciário Joab Nascimento de Araújo Júnior, de 30 anos, desobedeceu ao comando de colocar a mão na cabeça, na abordagem de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope)…

Por: Bleine Oliveira
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Bope não convence moradores.

Bope não convence moradores.

O agente penitenciário Joab Nascimento de Araújo Júnior, de 30 anos, desobedeceu ao comando de colocar a mão na cabeça, na abordagem de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e acabou morto, dentro de um bar, em Maceió, no dia 14 de maio último.

Acareações entre testemunhas, reprodução simulada e imagens da movimentação externa no local mostraram que houve excesso.

Na Delegacia de Homicídios (DH), que investigou o caso, a avaliação é que a abordagem foi bem executada, inclusive sob comando do cabo PM Jaime José Nascimento Neto, o cabo J. Neto, autor do disparo que matou o agente.

Entretanto, a negativa do agente Joab de colocar a mão na cabeça, mantendo-as pra cima, jamais justificaria o disparo. O cabo J. Neto errou ao atirar para ser obedecido!

– Foi uma execução sumária! – reagiu o pai da vítima.

Mas não se pode dizer que o Bope errou. O erro foi de um policial e este será punido. Acusado de ter disparado, o cabo J. Neto responderá na Justiça Comum por homicídio doloso, ou seja, com a intenção de matar.

Diante desse lamentável episódio, é preciso discutir essa nova fase da Polícia Militar de Alagoas e seus batalhões, especialmente o temido Bope. As denúncias de excesso no uso da força têm crescido e isso precisa ser analisado com profundidade.

“Acho que toda força especial, como o Bope, na PM, e o Tigre, na Polícia Civil, tem uma preparação especial e por isso, tanto dentro das próprias instituições como fora delas, há um respeito maior justamente pela qualidade técnica superior aos demais. Mas a especialidade desses grupos não lhes autoriza a agir fora da lei. Ao contrário, exige-se maior índice de acerto”.

A correta avaliação é do coordenador da Homicídios, delegado José Carlos André dos Santos.

Entretanto, a situação está se tornando insustentável. A verdade é que os militares estão se sentindo cada vez mais fortes e indo pras ruas com a ideia de que podem tudo no combate à criminalidade. Inclusive matar!

Uma compreensão absolutamente equivocada. Muitos dos militares que estão nas ruas não têm preparo pra entender o discurso do secretário de Defesa Social, Alfredo Gaspar de Mendonça.

“Prefiro um milhão de bandidos mortos que um policial assassinado em Alagoas”.

“Não quero policial saindo de casa para matar bandido, quero que execute a prisão. Mas, no confronto, preferiu o meu policial vivo”.

São declarações contundentes que, na cabeça de muitos, soam como uma salvaguarda.

A morte do agente penitenciário Joab Nascimento é um exemplo dessa visão desvirtuada. Some-se a esse episódio denúncias que surgiram nos últimos dias, dando conta de violência de militares contra cidadãos, como no caso denunciado pelo cantor Geraldo Cardoso.

Secretário, é melhor repensar a estratégia antes que policiais truculentos comecem a achar que a polícia é maior do que o Estado!

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