5 de janeiro de 2017 • 9:06 am

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Presídios viram empresas e custam R$ 80 bilhões aos cofres públicos

Sistema é corrupto e muita gente “boa” ganha dinheiro por conta das celas cheias

Por: Marcelo Firmino
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Há muita comemoração por parte de setores brasileiros pelo espetáculo dantesco da chacina de Manaus, com direito a mais de 30 decapitações, quando 60 mortes foram registradas, após a rebelião no presídio de lá no inicio deste ano.

O fato envolve o sistema de segurança pública no País e, consequentemente, a política de administração dos presídios que passa pelos três poderes no País. Todos são responsáveis.

Hoje, são muitas as correntes a visualizarem uma bomba relógio nessa história que pode explodir em qualquer cadeia do Brasil.O guru dos tucanos, Fernando Henrique Cardoso, já havia dito que talvez, maior que a crise da economia seja a da segurança pública no Brasil.  “Não seria de surpreender se a força do crime organizado viesse a desafiar mais amplamente as forças da ordem”, disse.

Manaus reflete bem essa história uma vez que desde o ano passado a Polícia Federal sabia que o estopim dentro da prisão de Manaus estava aceso e ninguém fez nada. Ficaram brincando de fazer política e caçar “comunista”.

O fato é que o sistema prisional passou a ser uma fonte de lucro para autoridades. Ou seja, quanto mais presos, mas dinheiro entra em um  ambiente de degradação social, inóspito e fundamentalmente corrupto.

O País gasta anualmente R$ 80 bilhões com o sistema prisional. É dinheiro para encher os olhos e bolsos de muita gente. Os presídios hoje são praticamente empresas e, em alguns Estados, cada preso custa mais de R$ 5,00. Aqui na terra alagoana, o privatizado presídio do Agreste, implantado na gestão de Teotônio Vilela Filho (PSDB) cobra 3 vezes mais pela manutenção em cárcere de cada preso.

Presídios: um negócio da China

Em 2013, época da implantação do sistema privatizado, a sociedade foi alertada que o governo estadual iria gastar com ele R$ 9 milhões por mês. Sem dúvida, uma conta anual de R$ 108 milhões. Na baixa, um negócio da China.

O Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindapen) chegou a destacar que  as  vagas que seriam disponibilizadas no presídio de Craíbas teriam um custo mensal de R$4.850,00. Nesse tempo o custo por preso era de R$ 1,3 mil.

O certo é que o dinheiro circula, passa pelas mãos inclusive de autoridades engravatadas e faz outros tantos rirem ao final de cada mês. Enquanto isso, o sistema prisional vai cumprindo seu papel de produtor da criminalidade, uma vez que não  funciona como instrumento de dissuasão do crime. Mas, também não interessa para a cadeia de comando que funcione.

Para todos, o importante é abarrotar as celas. Rende mais do que caderneta de poupança ou qualquer ação na bolsa de valores.

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