30 de novembro de 2017 • 1:53 pm

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Previdência: Como será o amanhã? Nem a cigana saberia responder

Governo mostra, em estudo, que se for dividido o déficit previdenciário entre a população de até 25 anos, cada um teria uma dívida de R$ 110 mil.

Por: Fátima Almeida
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O futuro ainda não chegou, mas quando chegar vai desmontar os sonhos de muitos jovens do país, quando eles não forem mais tão jovens para aguentar a labuta. Documento divulgado pelo Governo, na tentativa de rebater os argumentos contrários à reforma da Previdência, reafirma que, com o passivo previdenciário tão elevado, o quadro do futuro ficará insuportável e insustentável.

É a mesma conversa que vem rolando há anos, e agora com mais intensidade, com a reforma batendo às portas da votação. Só que o discurso de apelação ganha sustança num estudo apresentado nesta quarta-feira, pelo Ministério da Fazenda, onde se afirma que o valor do déficit atuarial (que é o quanto o Governo precisa para pagar todos os benefícios previdenciários projetados para esse futuro), chegou a um patamar tão alto que se fosse distribuído entre as crianças e jovens do país, com idade até 25 anos (83,7 milhões de pessoas), cada um carregaria uma dívida de R$ 110 mil.

No documento intitulado “Aspectos fiscais da seguridade social no Brasil” destaca-se não só o déficit atuarial do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), mas também o do Regime Próprio dos Servidores Civis da União (RPPS). Juntos, eles somam a bagatela de R$ 9,23 trilhões – um impacto devastador comparado ao Produto Interno Bruto (PIB). Ou seja, no discurso do Governo, estamos com o sistema previdenciário falido no presente e no futuro, aprovando ou não a dita reforma, que segue o mesmo script de todas as reformas atuais, carregando no peso da conta que toca ao trabalhador assalariado.

E mais: O governo continua a afirmar que, não sendo aprovadas as reformas, os gastos vão continuar aumentando e consumindo parcelas consideráveis do Orçamento, com prováveis comprometimentos em áreas fundamentais, como a Educação e a Segurança (o de sempre!). E aí vem o discurso reforçado que, fora disso, a única saída seria aumentar ainda mais a pesada carga tributária (isso parece chantagem!).

O remédio do Governo é o mesmo. Só não se fala em cortar gastos nos segmentos que mais contribuem para sobrecarregar as contas públicas, sobretudo as do sistema previdenciário – com as polpudas aposentadorias, cheias de penduricalhos e artifícios – que contemplam encastelados dos Poderes que fazem, fiscalizam e executam as leis.

Estes, estão se garantindo!

Aos demais, resta resta pagar uma conta cada vez maior de uma Previdência sem futuro.

 

 

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