16 de agosto de 2017 • 11:07 am

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Quadrilha de finados: delações fazem crescer número de mortos na lista da corrupção

Tem muita gente que já foi embora sem levar a conta para pagar em outras vidas

Por: Fátima Almeida
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A citação de pessoas mortas entre os suspeitos de participação em esquemas de corrupção vem aumentando consideravelmente, a cada delação da Lava jato. E na mesma proporção, vai reduzindo a perspectiva de punição para os culpados, já que muitos não estão aqui para se defender e muito menos para pagar pelos crimes que lhes são atribuídos.
Esta semana o ex-presidente da Odebrecht, Pedro Novis, na condição de delator, colocou mais dois nomes de finados na lista de suspeitos: Rubens Jordão, que em 2012 trabalhava com José Serra (PSDB), na eleição municipal de São Paulo e, segundo Novis, seria o receptador de repasses para o caixa dois da campanha do então candidato tucano à Prefeitura paulista.
Na lista já tinha o Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB, primeiro tucano citado na Lava jato, em 2014 (meses após a sua morte), pelo primeiro delator da operação, o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que o acusou de ter exigido R$ 10 milhões para ‘enterrar’, em 2009, a CPI da Petrobras, da qual era membro.
Guerra e Jordão estão mortinhos da silva e com eles está sepultada qualquer contestação das histórias que andam falando sobre ambos.
E não são os primeiros e não deverão ser os últimos a entrar na lista dos mortos delatados. Marisa Letícia, esposa de Lula, morreu no curso das investigações em que era alvo e recentemente foi apontada pelo próprio marido, como a responsável por todas as decisões e negociações relativas ao tal triplex de Guarujá, que acabou fundamentando a primeira condenação de Lula.
Assim como ela, o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, que morreu em acidente aéreo durante a campanha eleitoral de 2014, na qual era candidato a presidente da República, vem sendo citado assiduamente nas delações, desde a tragédia (ou pouco tempo depois dela), e recente é alvo de mais uma acusação O diretor da J&F (controladora da JBS), Ricardo Saud, disse que a campanha de Eduardo teria sido beneficiada com R$ 14,6 milhões não declarados – caixa dois – e que mesmo depois de sua morte o compromisso foi honrado (com a palavra Marina Silva, que o substituiu na cabeça da chapa majoritária).
O mesmo delator também incluiu outro defunto em sua delação, a Srª Telma dos Santos a quem Saud disse ter efetuado uma doação oficial para ‘comprar’ o apoio do PMN em favor do Senador Aécio Neves em 2014. Telma morreu em 2016, ainda como presidente do PMN.

E ainda tem o ex-deputado federal José Jatene, morto desde 2010, mas apontado por delatores da Lava jato como elo nos pagamentos a empreiteiras que atuavam na Petrobras.

Enfim, pelas delações, temos uma verdadeira quadrilha de mortos, com motivos de sobra para estar se remexendo no caixão. Mas nessa relação entre os mundos dos mortos e dos vivos, muita gente está indo embora impunemente, levando a conta pro lado de lá; e muita gente acreditando que ainda haverá justiça – ainda que seja no juízo final.
É cadeia para muitas vidas.

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