4 de maio de 2017 • 1:09 pm

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Qual a parte que te cabe? Renan aposta suas fichas na reconciliação popular

Em rota constante de colisão, senador se mantém líder do partido do governo – mas não se sabe até quando.

Por: Fátima Almeida
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Dizer que o senador Renan Calheiros não está fazendo um grande esforço para escapar do julgamento popular seria uma injustiça. Ele está, sim, fazendo de tudo para mostrar à população que nunca foi amigo de copo e mesa do presidente Michel Temer e que, se a corda que o sustenta na liderança do PMDB arrebentar – e ela está por um triz – já sabe exatamente de que lado vai ficar: Contra o governo, com o qual tem estado em constante colisão.

Dentro do partido o clima tem andado tenso. Aliados fiéis ele tem, e são muitos. Mas palavras duras lhe têm sido proferidas; reclamações que antes não se ouviam; parte da bancada ‘peemedebista’ se queixando de não ser ouvida por ele – exercício fundamental para quem, na função de líder, tem o dever de representar a opinião majoritária sobre temas de grande relevância – e polêmicos – dentro e fora do partido.

As críticas continuam como flechas de mão dupla. Notícias vazaram de que nas últimas horas houve até lista com assinaturas contra e a favor da sua permanência, e que ele estaria na vantagem. Nada confirmado sobre as listas, a não ser o fato de que Renan continua no cargo, pelo menos por enquanto. E não se sabe até quando.

Nesta terça-feira (3), ele esteve reunido com as centrais sindicais e novamente atacou as reformas trabalhistas e o próprio governo Temer. Se isso vai resultar na sua queda da liderança, ele também não sabe – mas continua arriscando.

Até ontem, a ordem do Presidente Temer – sinalizada por emissários do governo – era apenas monitorar Renan até a votação, e não destituí-lo do posto de líder. Não por complacência ou camaradagem, mas porque um ato dessa natureza, num momento crítico como o atual, poderia ser muito traumático para o PMDB.

Mas depois da articulação liderada por Renan, que levou o texto da reforma trabalhista a tramitar em mais uma comissão, atrasando em pelo menos um mês a sua votação, o Palácio do Planalto mandou avisar que a sua situação como líder do partido do governo chegou a um “nível insustentável”.

Mais panos quentes. O líder foi ‘encostado na parede’, para falar a voz majoritária, mas ele também deu o recado. “Você só é líder de bancada quando verbaliza o pensamento majoritário. Agora, se for incompatível defender os trabalhadores no exercício da liderança do PMDB, vocês não duvidem do que pode acontecer”.

Então a situação está assim: ou Renan se mantém contra a reforma trabalhista e assim tenta fazer o povo esquecer outras “traquinagens” suas, ou fica a favor, permanece na liderança e continua a ser o Renan de sempre.

Aguardem: Os próximos capítulos não tardam a se anunciar. Talvez uma questão de horas…

1 Comentário

  1. Renan: O tolinho!

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