8 de dezembro de 2017 • 10:34 am

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Quando a ‘emenda’ piora o soneto e ninguém consegue dormir!

Nas negociações para aprovar a PEC 287/2016, Governo mostra que tem dinheiro pra tudo, menos pra salvar a Previdência

Por: Fátima Almeida
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Tento entender, eu juro. Até consigo acreditar no lado bom do ser humano, mas, sinceramente, é difícil – quase impossível – vislumbrar indícios de honestidade e boas intenções nesse Governo que aí se encontra, ocupando o Palácio Central.

Vamos logo desenrolar o carretel das emendas parlamentares pra ver se alguém tem dúvidas sobre as intenções do Presidente Temer. Havia um valor previsto para liberação de emendas individuais, que era de R$ 6,78 bilhões, e de R$ 3,41 bilhões para emendas da bancada. Mas, na onda do ‘toma-lá-dá-cá’ com que o Governo tem se movimentado na sua relação com o Congresso, nada tem limite.

Quem não lembra da avalanche que movimentou os meses de junho e julho, em função da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Temer? Pois é; com tantos votos comprados – trocados por emendas e outras benesses a parlamentares e partidos políticos – o Governo já havia empenhado mais de R$ 5,8 bilhões, só em emendas individuais. Não comportaria mais outro grande ‘investimento’ visando à aprovação de projetos, tendo as emendas como moeda de voto, certo? Errado!

O REMENDO

Agora, novamente com a corda no pescoço, diante da resistência (inclusive na sua base) ao modelo de reforma que ele quer para a Previdência Social, Temer parte para o vale tudo. Aposta todas as fichas, inclusive as que não tem, para mostrar que existe dinheiro pra tudo – inclusive para comprar consciências e enterrar o direito de milhões de brasileiros à proteção do benefício previdenciário – só não existe para salvar a Previdência.

E resolve ‘remendar’ as regras de concessão de emendas, aumentando, por Decreto, a margem disponível para contemplar seus deputados. De R$ 6,78 bilhões, o limite individual passou a ser R$ 7,18 bilhões; já o limite de emendas de bancada passou de R$ 3,41 bilhões para R$ R$ 3,60 bilhões. Um aumentozinho básico de R$ 600 milhões; coisa à toa para um país que se diz quebrado ao ponto de ‘precisar’ suplantar, de forma ostensiva, os direitos dos trabalhadores.

SIRENE LIGADA

Não se trata apenas de um ajuste na equação, mas também na metodologia de barganha de votos, para um resultado melhor, já que a distribuição de ambulâncias não surtiu o efeito desejado. Ops, o que essas ambulâncias estão fazendo aqui? Sim, elas também viraram moedas nas negociatas do Governo em busca de apoio. Ou alguém ainda não sabe da oferta tentadora feita pelo Presidente Temer aos deputados, de frotas de ambulâncias para os seus municípios base, já no limiar das negociações pela votação da reforma previenciária?

CARGA TOTAL

Com emenda ou de ambulância, na tropa de choque do Palácio, ninguém está dormindo em serviço. O Governo segue com a sirene ligada anunciando a emergência da cata de votos. Já foram gastas todas as moedas (ou será que resta mais alguma?) e o tempo é cada vez mais curto para barganhar. A perspectiva é de que a reforma entre em votação no próximo dia 18,  e apesar dos esforços, as últimas contas do Planalto mostram ainda um déficit de 44 votos no placar necessário para aprovar a PEC da reforma da Previdência. Teria 266 votos, quando precisa de, no mínimo, 308. (Há contas muito mais pessimistas pro lado do Governo).

ZUADA

Com tudo isso acontecendo na ‘Casa de Noca’ – barganha política, negociatas, aumento de verbas para emendas, distribuição de ambulâncias, jantares em gabinetes, sabe-se lá com quem pagando…

Diga aí: Quem consegue dormir com uma zoada dessa!

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