13 de abril de 2016 • 8:16 am

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Quando os ratos chegam à praia em busca do banho de água doce

Não há coerência, não há responsabilidade, não há consciência, mas apenas a busca frenética pela salvação pessoal

Por: Marcelo Firmino
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O momento político atual nos remete a velha máxima de que “os ratos são os primeiros a abandonar o navio, quando ele afunda”. No mar da corrupção brasiliense isso está mais que provado.

Ilude-se quem imagina que os apoiadores do impeachment de ontem e os de agora estão pensando no bem do País, na honra, na ética ou coisa que o valha. Ledo engano. Eles estão apenas querendo salvar a própria pele. E para isso ensaiam discursos, produzem videos para internet e fazem a festa com uma massa ávida para ver o show, tal como faziam os romanos nas arenas dos gladiadores.

Abandonar o navio agora satisfaz os interesses da galera. Não há coerência, não há responsabilidade, não há consciência, mas apenas a busca frenética pela salvação. E nessa condição até a mãe seria sacrificada. Quanto mais uma presidente da República que se consumou como uma figura sem habilidade política, desantenada e desengonçada feito uma anta.

Esse, talvez, o crime dela.

Mas, o fato é que os ratos saltaram do barco. Agora é só publicizar o mergulho “fantástico” na internet que tudo na vida lhes será perdoado. Passaram anos a fio comendo na mão, bebendo as benesses, nomeando os aspones e brindando aos dutos das propinas que lhes garantiram cabines luxuosas no grande navio após cada eleição comprada a peso de ouro.

Nada disso importa mais. Agora terão salvo conduto e voltarão à tona como os mais éticos ou os heróis da nação ávida pelo espetáculo que ora estão a proporcionar e cuja apoteose está marcada para este domingo. Será uma festa, sobretudo midiática.

Nada mais emblemática nessa festa do que a cena do senador acreano Romero Jucá, do deputado federal Eduardo Cunha e do vice-presidente, Michel Temer, erguendo as taças de champanhe e comemorando com os diversos movimentos – ditos livres, de direita, de desejo pelo golpe militar e das oligarquias políticas – que nada mais querem do que encerrar logo a Lava Jato.

Basta perceber que Cunha está metido até às pestanas nesse mar de lama, já processado no STF, enquanto Jucá está sendo investigado pelo MPF e Temer foi citado em delação premiada. Isso só de um lado.

No fundo, criou-se a falsa impressão da classe política unida com o povo. Ora, esse vai continuar sendo um detalhe a atender interesses pontuais dessa mesma classe. Isso é histórico, não é fantasia.

O real é que, nesse imbróglio da corrupção vergonhosa, triste e medonha, os ratos  lambuzados até a alma saltam do barco buscando a própria salvação e nunca “salvação nacional”, como tentou sugerir Michel Temer em video recente.

O pior é que chegamos a um estágio da sociedade em que ninguém controla mais nada e a corrupção está se enraizando em todos os poderes, inclusive no Judiciário, com um agravante penoso. Esse, hoje, está absolutamente partidarizado em todas as suas instâncias. É fato. E ainda com um atenuante intrínseco: magistrado flagrado com o pé atolado na jaca não sofre impeachment é aposentado com todas as vantagens salariais para honras e glórias do próprio nome. Assim navega o barco.

Em todo caso, uma coisa não há como negar nesse mundo navegado aos interesses da nada nobre classe política. A incompetência de Dilma e a soberba de Lula geraram essas correntes marinhas. E assim quase ninguém ficará no barco para o abraço de afogados.

Em janeiro de janeiro de 2012, o capitão do transatlântico Costa Concordia, abandonou a embarcação antes dos passageiros e do restante da tripulação, na costa da Itália, em plena região da Toscana, e o resultado foi uma tragédia que deixou muitos mortos.

Obviamente, que, no mar revolto daqui, nada disso vai acontecer até por que, com exceção do imediato Temer, a tripulação enfrenta a turbulência dentro do navio.

Já os ratos estão chegando à praia para o banho de água doce.

 

 

 

 

 

 

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