13 de janeiro de 2016 • 6:19 pm

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Quase 4 mil famílias vítimas da cheia continuam sem casa. De quem é a culpa?

Caixa diz que invasões de conjuntos atrasaram obras, mas famílias contestam, e dizem que é o atraso na entrega que leva as pessoas a invadirem as casas.

Por: Fátima Almeida
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Sem fiscalização, unidades sofreram ações de vândalos (Foto Dárcio Monteiro)

Sem fiscalização, unidades sofreram ações de vândalos (Foto Dárcio Monteiro)

Passados quase seis anos desde a cheia de 2010, do total de 17,6 mil unidades habitacionais aprovadas para as famílias que perderam suas moradias em Alagoas, apenas 13.871 (78%) foram entregues até agora, segundo informações da Caixa Econômica. O que significa que 3.729 famílias continuam esperando para receber suas casas em vários municípios afetados pela cheia.

No município de Atalaia, onde um conjunto habitacional construído para as vítimas da cheia virou um cemitério de casas, 4.600 pessoas ficaram desabrigadas e desalojadas após a enchente. O Comitê de Avaliação de Projetos Habitacionais do Programa da Reconstrução aprovou 1.020 unidades habitacionais para os desabrigados do município, mas apenas as 500 casas do conjunto Maria de Nazaré, foram entregues aos respectivos donos.

As outras, relegadas ao tempo e ao descaso, foram invadidas, depredadas, abandonadas e ficaram sem condições de habitabilidade.

De quem é a culpa por tal situação?

Há poucos dias, durante uma solenidade em Atalaia, a reportagem do Eassim indagou sobre o problema ao prefeito Chico Vigário, que saiu com evasivas, alegando que não poderia falar sobre o assunto naquele momento e que iria procurar informações com a Caixa Econômica. Em outras tentativas, ele não atendeu ao telefone.

Também procurada por nós, a Secretaria de Estado da Infraestrutura informou que a parte de construção dos empreendimentos relacionados às enchentes, assim como o acompanhamento e entrega das obras, são de responsabilidade da Caixa Econômica. Cabe àquela secretaria apenas as obras de infraestrututura externa dos empreendimentos, como abastecimento d’água, construção do acesso e a doação dos terrenos para os conjuntos habitacionais.

A demora na entrega, segundo a Caixa, tem ocorrido por dois fatores: a não execução da infraestrutura externa dos empreendimentos, que seria de responsabilidade do Governo do Estado de Alagoas, e as invasões e depredações das unidades habitacionais. A exemplo do que aconteceu com o Conjunto Deus é Fiel, no município de Atalaia, outros conjuntos habitacionais construídos com recursos emergenciais da cheia também foram invadidos nos municípios de Rio Largo e Viçosa.

“O atraso se justifica devido às invasões, que prejudicaram o prosseguimento das obras, e também pelas depredações realizadas pelos invasores, que acarretaram em involução de serviços já concluídos e necessidade de aporte de mais recursos pelo Governo Federal”, diz a instituição. Mas as famílias desabrigadas pensam o contrário. Para elas, é a demora na entrega que provoca as invasões. “Fica tudo aí, fechado, o tempo passando e as pessoas sem ter onde morar. Aí vem uns e invadem”, diz o cortador de cana José Pedro dos Santos, pai de três filhos, e à espera de uma casa.

Em todo caso, só resta continuar esperando. A Caixa informa que os imóveis depredados foram vistoriados para levantamento e quantificação dos danos e que foram solicitados recursos adicionais para finalização dos empreendimentos, além dos recursos originalmente previstos, que  já se encontravam provisionados para execução das obras.

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