25 de Janeiro de 2016 • 3:26 pm

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Renan Filho, os bandidos e os novos PMs

Um policial é um agente da lei! Não pode se igualar ao criminoso.

Por: Bleine Oliveira
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Vocês são os próximos passos da Segurança Pública e sendo assim esperamos que atuem com firmeza e serenidade. Tratem o bandido como ele merece; porém, sobretudo, tratem o cidadão como ele merece ser tratado”.

Oi? Como assim? O que significa esse “como ele merece”?

Mais importante ainda: quem fez essa afirmação?

Você, querido leitor meu, pode pensar que foi o secretário de Segurança Pública, o diligente promotor Alfredo Gaspar.

Não, não foi ele!

A fala, reproduzida aqui literal como divulgada pela Agência Alagoas, o veículo de comunicação oficial, é de sua excelência o governador Renan Filho.

A declaração foi feita, nesta segunda-feira, 25, no Centro de Convenções, durante aula inaugural para 240 novos membros da Polícia Militar de Alagoas, no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças.

A Constituição e o Código Penal são claros sobre punição a quem comete crimes. Não se trata de merecer, mas de fazer cumprir a lei.

Pessoalmente já fui vítima de roubo, de assalto e sequestro-relâmpago. Além da impotência e do medo, senti muita raiva. E uma vontade grande de destruir aqueles que me atacavam!

Portanto, sei o que significa violência.

Mas não se pode admitir que o Estado (como ente político) referende o revés.

Um policial é um agente da lei! Não pode se igualar ao criminoso.

Não estou afirmando que foi isso o que o governador declarou. Mas é possível sim, que alguns (ou muitos!) vejam na afirmação dele – “Tratem o bandido como ele merece”, uma salvaguarda para agir fora-da-lei. Principalmente porque, como ressaltou o texto oficial “o governador percebeu a pouca idade da maioria dos praças e novos oficiais”.

O governador, como eu, pode até considerar aquela ‘regra’ conhecida de que “bandido bom é bandido morto”, porém jamais deveria externar um pensamento com esse preceito.

Permitam-me, os que fazem a assessoria de Sua Excelência, mas faltou análise política e crítica do discurso!

1 Comentário

  1. Elson Folha disse:

    Excelente reflexão. Estamos no seculo XXI, não existe espaço para tal assertiva, precisamos de regras republicanas, ainda, por incrível que pareça.

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