18 de novembro de 2016 • 7:51 pm

Blogs » Fátima Almeida » Política

Renan x Judiciário: os supersalários nas hostes do poder e o povo

Enquanto se discutem os altos salários nas altas cortes dos poderes constituídos, a maioria dos trabalhadores amarga um ano sem reajuste

Por: Fátima Almeida
Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Em mais um round na briga Renan x Judiciário, a reação dos juízes federais veio direcionada não só ao presidente do Senado, mas a todo o Legislativo. Na quarta-feira (16) Renan, que andou rastreando os contracheques mais polpudos da administração pública, com foco no Judiciário, declarou que entidades contrárias à investigação sobre os supersalários ‘não vão inibir o Senado’.

Renan:  ministério de volta

Renan Calheiros

A réplica da Associação dos Juízes Federais (Ajufe) pareceu simples e lógica: “O que se deseja é que a investigação dos supersalários não se restrinja ao Judiciário”. Mas nas entrelinhas – e nas linhas claras também – a mensagem é mais direta e revela que os magistrados não ficaram só na defensiva. O mexe-mexe começou de um lado e do outro, e no levanta pó, a Ajufe descobre um telhado de vidro escondidinho em algum recanto do Legislativo.

(Aliás, telhado de vidro é o que não falta, em nenhum dos três poderes, sobretudo quando o assunto é supersalário).

Em nota, o presidente da associação, Roberto Veloso, reforça o recado que revela o achado: “É incompatível com o grau de complexidade dos cargos exercidos, que o administrador do serviço de xerox da Câmara dos Deputados perceba vencimento igual a um ministro do Superior Tribunal de Justiça”

– Anhhh!!!???

É isso mesmo! E diz mais o presidente da entidade de classe: Se há abuso – e todo cidadão brasileiro que rala para ganhar um salário minguado, sabe que há – todos os poderes devem ser investigados. E está certo quando diz que, se as baterias ficarem focadas só no Judiciário, tal atitude leva a pensar “que está havendo retaliação contra as instituições encarregadas de investigar e de julgar os casos de corrupção no Brasil.”

Só está errado, o presidente da Adufe, quando diz que “estranhamente, todas as carreiras tiveram reajuste dos seus vencimentos, com exceção da magistratura”.

Oops! Todos, quem, cara pálida?

Data vênia, senhor juiz! Tem mais de meio Brasil repleto de trabalhadores do serviço público e privado que não viram nem a cor de um centavo de reposição da inflação deste ano.

Mas esse, é outro Brasil! Né isso?

Deixe o seu comentário