27 de junho de 2016 • 11:46 am

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Requião diz que Temer está comprando bancada para aprovar impeachment

Mas, parlamentares dizem que Temer apenas recebeu “uma lista de demandas”.

Por: Da Redação
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O presidente interino Michel Temer está sendo pressionado por parlamentares, que querem nomear indicados, apoio político nas eleições municipais e até o comando de estatais. Tudo isso em função da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, em agosto. As informações são do jornal Estado de S. Paulo. No Senado Federal a barganha é explícita.

Segundo o senador Roberto Requião (PMDB-PR) “o Temer está comprando a bancada. É uma compra explícita de apoio”, relata o senador. Para os governistas, porém, o “movimento” nada mais é do que uma lista de demandas.

Roberto Requião: compras explícitas.

Roberto Requião: compras explícitas.

O caso mais pitoresco, segundo relatos de três senadores próximos a Temer, é o de Hélio José (PMDB-DF). O peemdebista – que já emprega 86 assessores em sua equipe parlamentar, segundo levantamento da Revista Congresseo em Foco – pediu mais 34 cargos, entre os quais a presidência de Itaipu, Correios, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e até o comando do BNDES.

O senador Romário (PSB-RJ), que votou pela admissibilidade do impeachment, se mostrou indeciso quanto ao afastamento definitivo de Dilma, mas logo apresentou a fatura de seu apoio a Temer. O ex-jogador de futevol pediu o comando da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e uma diretoria em Furnas. A primeira vaga já havia sido prometido para a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), mas Romário passou a frente, ganhou o cargo e indicou a deputada Rosinha da Adefal.

Ainda na bancada do futebol no Senado, o ex-presidente do Cruzeiro e senador Zezé Perrella (PTB-MG) indicou o filho Gustavo Perrella para a Secretaria Nacional do Futebol e de Defesa dos Direitos do Torcedor. Em nota, a assessoria de Romário negou que não houve negociação por seu voto no impeachment e que ele pediu uma diretoria em Furnas. Já Zezé Perrella não foi localizado para comentar o fato.

O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) quer que Temer apoie o seu candidato à Prefeitura de Manaus, Marcos Rota (PMDB). Já o senador Omar Aziz (PSD-AM) quer que o presidente em exercício ajude Arthur Virgílio, do PSDB. Ambos ainda não tem um posicionamento sobre o julgamento final do impeachment. Em entrevista concedida na sexta-feira (24), Temer disse que vai evitar trabalhar diretamente nas campanhas municipais para não sofrer desgaste no Congresso Nacional.

Também peemdebista, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), emplacou o filho Helder Barbalho no comando do Ministério da Integração Nacional e pediu a manutenção do cargo dele para votar pelo impeachment.

Placar – Na estimativa feita pelo Planalto, a cassação de Dilma está na mão de 15 senadores. Hoje, apenas 38 dizem abertamente serem favoráveis ao impedimento – são necessários 54. O titular da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, confirmou que tem dialogado com senadores que buscam espaço no governo. “As conversas estão sendo republicanas e não está havendo essa pressão que se imagina, não”, afirmou.

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