2 de abril de 2016 • 10:02 am

Economia

Seguro popular: Resolução torna mais acessível proteção ao patrimônio

Medida pode reduzir em até 30% valor da apólice e incrementar mercado com maior adesão à proteção do patrimônio

Por: Fátima Almeida
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Ilustração / Intrnet

Ilustração / Intrnet


 

Mais de 20 milhões de veículos (carros, motocicletas, ônibus e caminhões), com idade entre cinco e vinte anos de uso, circulam pelo país sem qualquer tipo de cobertura, segundo estimativa da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNseg). Um mercado em potencial que, a partir de agora, vê ampliada a possibilidade de acesso à proteção de um seguro.

Superintendência de Seguros Privados (Susep) acaba de divulgar as regras e os critérios para a operação do Seguro Auto Popular no Brasil, instuído pela Resolução nº 336, do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). 

A permissão para a utilização de peças usadas, oriundas de empresas regulamentadas especializadas em desmontagem de veículos, para a recuperação de automóveis sinistrados é uma das principais diretrizes das novas normas estabelecidas na resolução, que podem baratear custos.

Elas também definem que a cobertura do Seguro Auto Popular deverá compreender, no mínimo, a garantia de indenização por danos causados ao veículo, em caso de colisão. E que as seguradoras deverão oferecer ao consumidor a opção entre a utilização de oficinas de livre escolha ou pertencentes à sua rede referenciada.

A expectativa é de que as novas normal aumentem em pelo menos 10% o público protegido pelas seguradoras, em todo o país; proprietários de veículos populares que vivem à margem dessa cobertura, devido à falta de condições de arcar com os altos custos de um seguro veicular.

Por meio da assessoria, o presidente da CNseg, Marcio Serôa de Araújo Coriolano, disse que considera a regulamentação do Seguro Auto Popular um importante avanço, sobretudo diante do atual cenário nacional. “A implementação da norma nesse momento de dificuldades de renda para o consumidor representa o entendimento da Susep de que é necessário ampliar o acesso da população à proteção de seu patrimônio”, disse Coriolano.

Ele destaca a necessidade de aperfeiçoamento de alguns itens das diretrizes estabelecidas na Resolução 336, para que sejam atendidas as expectativas em relação ao novo produto por parte dos consumidores e dos canais de distribuição, mas acredita que haverá, sim, um aumento considerável no número de segurados em todo o país. 

Entre os pontos a serem aprimorados, Coriolano destaca a possibilidade de utilização de peças não originais que atendam às especificações técnicas dos fabricantes, permitindo, assim, maior penetração do produto. “A utilização somente de peças usadas obtidas junto às empresas de desmontagem de veículos poderá não ser suficiente para atender à demanda do mercado”, justificou o presidente da Confederação. 

PREÇO E VIGÊNCIA

A perspectiva do mercado é de que a comercialização do novo seguro passe a vigorar a partir do segundo semestre deste ano, mas a projeção de valores para o novo seguro ainda não está disponível. Acredita-se, apenas, que haverá uma redução considerável – os mais otimistas apostam em cerca de 30% – em relação ao produto tradicional, atraindo mais consumidores para a proteção do seguro. 

Essa é a expectativa do estudante universitário Carlos Lima, 23 anos, proprietário de um automóvel modelo Corsa, fabricado em 2008. Da última vez que fez a cotação do seguro, há dois anos, estava em torno de R$ 1.600. Teve que abrir mão dessa proteção. “É mais de 10% do valor de mercado do carro. Pra mim, tornou-se inviável. Tive que ficar sem essa proteção e pedir a Deus, todos os dias, para nada acontecer. Quem sabe, agora, esse custo diminua e o seguro fique mais acessível para muita gente na minha situação”, diz ele.  

Para a cotação do seguro, leva-se em conta muito mais que  o preço de mercado e a idade do veículo. Fatores como a idade, sexo do segurado, histórico do motorista, índices de criminalidade na região onde mora, com indicativos de roubo e acidentes de carro, pesam na conta, tornando o seguro mais caro ou mais barato.

Nesse caso, nem sempre ter um carro popular é a saída para economizar no seguro. Até porque, muitos deles estão no topo da lista dos veículos preferidos por bandidos, na hora de roubar um carro para praticar delitos. Em muitos casos, o preço da apólice de um carro popular, pode chegar ao mesmo valor do seguro de um carros de alto padrão.

Na avaliação do presidente da CNseg, o barateamento a partir do Seguro Auto Popular vai acontecer, sim, e deverá ser mais notável nas localidades onde o principal fator de indenizações por parte das seguradoras decorra de colisões de veículos. Coriolano acredita, ainda, que dependendo do aperfeiçoamento da norma, a nova modalidade poderá significar um crescimento de até 10% na quantidade de veículos segurados no país, hoje na casa dos 17,5 milhões. 

  • Com informações da Assessoria da CNseg

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